EUA e Irã anunciam trégua e declaram vitória, mas divergem sobre termos para paz definitiva.
Um acordo para estabelecer uma trégua na guerra iniciada em 28 de fevereiro foi anunciado pelos Estados Unidos e Irã na noite de terça-feira (7). Ambos os países apresentaram condições para um cessar-fogo definitivo e reivindicaram a vitória no conflito, gerando expectativas e incertezas sobre os próximos passos.
A trégua, mediada pelo Paquistão, abrange todas as frentes de batalha, incluindo Israel e o Líbano. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir em Islamabad na próxima sexta-feira (10) para iniciar as negociações de um acordo de paz, um marco crucial para a estabilização da região.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia prometido atacar estruturas energéticas e pontes do Irã caso não houvesse acordo até as 21h de terça-feira. Ele chegou a afirmar que uma “civilização inteira” morreria, demonstrando a alta tensão do momento. Conforme informação divulgada pela rede social do presidente, noventa minutos antes do fim do prazo, Trump anunciou o adiamento dos ataques por duas semanas, condicionado à reabertura do Estreito de Ormuz, fechado pelo Irã após o início da guerra.
Estreito de Ormuz: um ponto nevrálgico para o comércio global
O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo, pressionou os preços do insumo e gerou impactos econômicos significativos em diversos países, incluindo os Estados Unidos. A reabertura desta via marítima é uma das principais exigências americanas para o fim definitivo do conflito.
Condições americanas para o fim da guerra
Além da reabertura do Estreito de Ormuz, os Estados Unidos já haviam listado outras condições para encerrar a guerra. Entre os pontos cruciais estão o compromisso do Irã de não desenvolver armas nucleares, a limitação do alcance e da quantidade de mísseis iranianos, a desativação de usinas de enriquecimento de urânio, o fim do financiamento a grupos aliados como Hamas e Hezbollah, e a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
Donald Trump declarou que os Estados Unidos já venceram a guerra, afirmando que todos os objetivos americanos foram alcançados com o anúncio da trégua. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou a ofensiva como um sucesso, reforçando a narrativa americana de vitória.
Irã reivindica vitória e apresenta plano de paz próprio
Em contrapartida, a mídia estatal iraniana classificou o acordo como um “recuo humilhante de Trump” e afirmou que os Estados Unidos aceitaram os termos de Teerã. Agências oficiais declararam que o Irã resistiu e que os americanos não atingiram seus objetivos. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz, assegurando que a passagem de navios será segura, com coordenação das forças iranianas e dentro de limitações técnicas.
Araghchi informou que as negociações entre os dois países terão como base um plano de 10 pontos elaborado pelo Irã, que, segundo o chanceler, foi aceito pelos Estados Unidos. O plano iraniano, conforme a agência Mehr, inclui a não agressão, a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do enriquecimento de urânio pelo Irã, a suspensão de todas as sanções americanas e resoluções da ONU e da AIEA, pagamento de indenização ao Irã, retirada das forças de combate dos EUA da região e cessação da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Divergências persistem apesar do acordo de trégua
Donald Trump, por outro lado, considerou o plano iraniano uma base viável, mas ressaltou que ainda há divergências. Segundo o governo iraniano, a proposta exige o fim das sanções dos EUA, pagamento de compensações e liberação de ativos iranianos congelados. A persistência de pontos de discórdia entre as partes indica que o caminho para uma paz definitiva ainda pode ser longo e desafiador.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/08/eua-e-ira-expoem-condicoes-para-o-fim-da-guerra-e-declaram-vitoria-apos-anuncio-de-tregua.ghtml.