Tensões no Oriente Médio: EUA elevam tropas para mais de 50 mil em meio a receios de ataque terrestre ao Irã
A presença militar dos Estados Unidos no Oriente Médio ultrapassou a marca de 50 mil soldados, um contingente cerca de 10 mil superior ao habitual, segundo reportagem do jornal The New York Times. A chegada de 2,5 mil fuzileiros navais e outros 2,5 mil marinheiros intensifica o cenário de instabilidade na região, onde a guerra entre Israel e o Irã completa um mês sem sinais de um fim próximo.
A movimentação de tropas ocorre em um momento de alta apreensão, com autoridades americanas avaliando a possibilidade de uma ofensiva terrestre contra o Irã, incluindo ações nas proximidades do Estreito de Ormuz. O Pentágono estaria se preparando para operações que poderiam envolver forças especiais e tropas convencionais, embora o presidente Donald Trump ainda não tenha tomado uma decisão final sobre a autorização desses planos.
Em meio a esses desdobramentos, o Irã declarou estar pronto para reagir a um eventual ataque terrestre dos EUA, acusando Washington de planejar uma ofensiva enquanto, paralelamente, discute negociações. A situação é acompanhada de perto por países da região, que buscam ativamente soluções diplomáticas para encerrar o conflito, conforme informações divulgadas pelo The New York Times.
Aumento de Tropas e Avaliação de Ataques
O envio de 2,5 mil fuzileiros navais foi decidido na terceira semana do conflito. Embora as missões específicas desses soldados ainda não estejam claras, o presidente dos EUA estaria considerando um ataque de maior escala, que poderia abranger o Estreito de Ormuz e ilhas adjacentes. O jornal The Washington Post informou que o Pentágono se prepara para operações terrestres no Irã, com potencial envolvimento de forças especiais e tropas convencionais.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA podem atingir seus objetivos sem tropas em solo, mas reconheceu que o envio de mais forças amplia as opções do governo. Essa movimentação ocorre em um contexto onde o Irã, por sua vez, se declara pronto para retaliar qualquer ação militar terrestre por parte dos Estados Unidos.
Irã Pronto para Reagir e Esforços Diplomáticos
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Ghalibaf, acusou os Estados Unidos de enviarem sinais de diálogo, mas, nos bastidores, planejarem o envio de tropas. Segundo ele, o Irã está preparado para reagir caso isso aconteça. “Enquanto os norte-americanos exigirem a rendição do Irã, nossa resposta é que jamais aceitaremos a humilhação”, declarou Ghalibaf.
A declaração iraniana surge em meio a intensos esforços diplomáticos. Ministros das Relações Exteriores do Paquistão, Arábia Saudita, Turquia e Egito se reuniram em Islamabad para discutir formas de encerrar a guerra, que já dura um mês e causou milhares de mortos. Os países apresentaram propostas aos EUA para reabrir o Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte global de petróleo e gás natural.
Possível Operação para Extrair Urânio e Ameaças de Trump
O presidente Trump estaria avaliando uma operação militar para extrair quase mil libras de urânio do Irã, de acordo com autoridades americanas citadas pelo The Wall Street Journal. Essa missão seria complexa e arriscada, envolvendo uma incursão terrestre que poderia durar dias. A hesitação de Trump estaria ligada ao perigo para as tropas americanas, mas a operação é vista como uma forma de impedir que o Irã fabrique uma arma nuclear.
Trump também pressiona conselheiros para que o Irã aceite entregar o material como condição para o fim da guerra. Ele discutiu a possibilidade de apreensão forçada caso o país não o entregue nas negociações. Em entrevista ao Financial Times, Trump mencionou a possibilidade de os EUA “pegarem o petróleo no Irã” e tomar a ilha Kharg, centro petrolífero iraniano, ressaltando, contudo, que um cessar-fogo poderia ocorrer “rapidamente”.
Ataque Iraniano a Base Americana e Escalada de Tensão
Imagens verificadas pela AFP mostram um avião de vigilância aérea dos Estados Unidos, um E-3 Sentry, destruído após um ataque iraniano à Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita. O ataque, realizado com mísseis e drones, deixou pelo menos 12 militares americanos feridos, sendo dois em estado grave. O E-3 Sentry, parte do sistema AWACS, tem um custo unitário de US$ 270 milhões e é crucial para monitoramento aéreo.
O episódio ocorre em meio a uma série de ataques iranianos contra estruturas militares dos EUA na região, que nas últimas semanas atingiram sistemas de radar, baterias de defesa antimísseis, drones e aeronaves em bases no Golfo. Essas ofensivas são uma resposta do Irã à atuação americana e aumentam a tensão em uma área estratégica para a produção e o transporte global de petróleo.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/30/mais-de-50-mil-soldados-americanos-estao-no-oriente-medio-diz-jornal.ghtml.