Netanyahu contradiz acordo de cessar-fogo e exclui Líbano, elevando incertezas diplomáticas e militares na região.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que o cessar-fogo de duas semanas, acordado entre Estados Unidos e Irã com mediação do Paquistão, não inclui o Líbano. Esta declaração surge após um anúncio inicial que indicava a participação do país na trégua, gerando confusão e apreensão.
A posição de Netanyahu, divulgada pelo seu gabinete na madrugada desta quarta-feira (8) via X, afirma o compromisso de Israel em alcançar os objetivos dos EUA e seus aliados. No entanto, a exclusão do Líbano diverge do que foi comunicado pelo Primeiro-ministro do Paquistão, que apontava a interrupção dos ataques em todas as frentes de conflito.
A notícia da exclusão do Líbano veio em meio a alertas emitidos pelo exército israelense para a evacuação da cidade de Tiro, no sul libanês. As orientações militares, segundo a Reuters, instruíram a população a se deslocar para o norte do Rio Zahrani, com a afirmação de que a área seria atacada. O Líbano tem sido alvo de constantes ataques israelenses desde o início da guerra em 28 de fevereiro, com Israel alegando mirar o grupo extremista Hezbollah, aliado do Irã.
Israel intensifica ações militares no sul do Líbano apesar de anúncio de trégua
O exército israelense intensificou suas operações no sul do Líbano, emitindo alertas de evacuação para a cidade de Tiro. A Reuters informou que as forças israelenses orientaram os moradores a se deslocarem para o norte do Rio Zahrani, indicando que a área seria alvo de ataques. Desde o início do conflito, Israel tem realizado ataques frequentes no Líbano, afirmando que seus alvos são o grupo Hezbollah, que, segundo Israel, lança ataques contra o território israelense.
O governo libanês relatou que mais de 1.500 pessoas morreram e outras 4.800 ficaram feridas em decorrência dos ataques israelenses no país desde o começo do conflito. Israel alega que suas ações visam proteger seu território e tem invadido o sul do Líbano, controlando militarmente a região até o rio Litani. Ataques aéreos também foram direcionados à capital, Beirute, e ao Vale do Beqaa.
Acordo de paz entre EUA e Irã envolve reabertura do Estreito de Ormuz
A trégua de duas semanas, mediada pelo Paquistão, tem como um de seus pilares a reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para cerca de 20% das exportações mundiais de petróleo, que havia sido fechado pelo Irã. Autoridades iranianas e norte-americanas devem se reunir em Islamabad na próxima sexta-feira (10) para dar início às negociações de um acordo de paz mais abrangente.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que havia ameaçado atacar estruturas energéticas e pontes do Irã caso não houvesse acordo, anunciou o adiamento dos ataques. A decisão foi condicionada à reabertura do Estreito de Ormuz. O fechamento desta via marítima já havia provocado um aumento nos preços do petróleo e impactos econômicos globais.
Irã apresenta plano de 10 pontos com exigências para acordo de paz
Em meio às negociações, o Irã apresentou um plano de 10 pontos que serviria de base para o acordo de paz com os Estados Unidos. Este plano, segundo o governo iraniano, inclui o fim das sanções impostas pelos EUA, o pagamento de compensações e a liberação de ativos iranianos congelados. A agência Mehr, controlada pelo governo, detalhou os pontos, que incluem não agressão, permanência do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz e aceitação do enriquecimento de urânio pelo Irã.
As versões do plano apresentadas pelo Irã geraram divergências. Enquanto diplomatas iranianos compartilharam versões em inglês que omitiam a aceitação do enriquecimento de urânio, a versão em farsi divulgada pela agência Mehr incluía este ponto. Trump, por sua vez, considerou o plano uma base viável, mas ressaltou que ainda existem divergências entre as partes.
Casa Branca declara vitória, enquanto Irã vê acordo como recuo americano
A Casa Branca, através de sua porta-voz Karoline Leavitt, classificou a ofensiva como um sucesso, afirmando que os objetivos americanos foram alcançados e superados em 38 dias. Trump declarou que os EUA já venceram a guerra. Por outro lado, a mídia estatal iraniana descreveu o acordo como um “recuo humilhante de Trump”, alegando que os EUA aceitaram os termos de Teerã e que o Irã resistiu, sem que os americanos atingissem seus objetivos.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou o fim dos ataques e a reabertura do Estreito de Ormuz, garantindo a segurança da passagem de navios sob coordenação iraniana. Ele também mencionou que as negociações se basearão no plano de 10 pontos elaborado pelo Irã, um ponto confirmado como base para as conversas, embora com divergências ainda a serem resolvidas.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/08/netanyahu-diz-que-cessar-fogo-nao-inclui-libano.ghtml.