Guerra no Oriente Médio: Irã promete retaliação após ameaças de Trump e envia mensagem ao povo americano
As tensões entre Irã e Estados Unidos escalaram após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar o país com ataques “com extrema força” nas próximas semanas. Em resposta direta, o porta-voz do Comando das Forças Armadas do Irã, Ebrahim Zolfaqari, declarou que a guerra continuará até a “rendição e o arrependimento permanente do inimigo”.
Zolfaqari também classificou as avaliações militares dos EUA e de Israel sobre o Irã como “incompletas” e prometeu “ações mais esmagadoras, amplas e destrutivas” contra Israel e os Estados Unidos. Essas declarações surgem em meio a um cenário de incerteza e escalada retórica no Oriente Médio.
Paralelamente, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, enviou uma carta “ao povo norte-americano”, buscando desassociar o povo iraniano do regime e afirmar que o Irã não nutre inimizade contra cidadãos comuns. A carta acusa o governo Trump de enganar seus próprios cidadãos e questiona se os interesses americanos estão realmente em primeiro lugar nas ações de Washington. Esta foi a primeira comunicação direta do governo iraniano à população dos EUA desde o início do conflito.
Trump reforça ameaças e mira infraestrutura iraniana
Em pronunciamento televisivo, Donald Trump reiterou a intenção de continuar os ataques ao Irã até atingir seus “objetivos militares”, que incluem a destruição da capacidade de Teerã realizar ataques contra os EUA e impedir o exercício de seu poderio militar fora de seu território. Trump negou que a troca de regime fosse um objetivo, mas afirmou que ela ocorreu de fato com a morte de antigos líderes.
O presidente americano foi além, ameaçando atacar alvos da infraestrutura de energia iraniana, como usinas de eletricidade, caso não haja um acordo. “Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas. Vamos trazê-los de volta à Idade da Pedra, de onde vieram”, declarou Trump, demonstrando a severidade de suas intenções.
Irã relembra intervenção dos EUA em 1953 e questiona alianças
Na carta ao povo americano, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian fez um apelo para que os norte-americanos questionem se Washington está priorizando seus próprios interesses ou agindo como “representante de Israel”. Pezeshkian também lembrou que as hostilidades entre Irã e o Ocidente começaram em 1953, com o golpe de Estado orquestrado pela CIA e pelo MI6 contra o primeiro-ministro Mohammad Mossadegh.
O presidente iraniano classificou o evento como “uma intervenção ilegal dos Estados Unidos” que “interrompeu o processo democrático do Irã, reinstaurou a ditadura e semeou profunda desconfiança entre os iranianos em relação às políticas dos EUA”. A menção a esse evento histórico busca contextualizar a longa e complexa relação entre Irã e Estados Unidos.
Trump minimiza dependência de petróleo do Oriente Médio e pressiona aliados europeus
Donald Trump também abordou o fechamento do Estreito de Ormuz, corredor vital para o escoamento de petróleo do Golfo Pérsico. Ele sugeriu que a reabertura do estreito interessa mais aos países europeus do que aos EUA, afirmando que os Estados Unidos “não precisam” mais do petróleo do Oriente Médio, uma vez que se tornaram o maior produtor mundial. Trump incentivou outras nações a “criarem um pouco de coragem” e tomarem conta da passagem marítima.
A postura de Trump reflete seu descontentamento com a OTAN e aliados europeus, que rejeitaram seu pedido para enviar navios militares para garantir a segurança do tráfego de petróleo. A falta de apoio europeu aprofundou um “racha transatlântico”, com Trump chegando a cogitar a retirada dos EUA da OTAN, organização cujo tratado foi ratificado pelo Senado dos EUA em 1949.
Opinião pública americana e a impopularidade da guerra
Internamente, Trump enfrenta um eleitorado cauteloso com a guerra e índices de aprovação em queda. Pesquisas indicam que a maioria dos eleitores desaprova o conflito e deseja um encerramento rápido, mesmo que as metas estabelecidas pelo governo não sejam atingidas. A guerra é amplamente impopular, especialmente entre eleitores independentes.
Aliados de Trump têm pressionado por uma justificativa mais clara e consistente para o conflito, que já está em sua quinta semana. Se o presidente conseguir convencer os eleitores de que a guerra tem prazo limitado e está perto do fim, isso poderá aliviar as crescentes preocupações dos americanos, muitos dos quais frustrados com o aumento dos preços da gasolina devido às interrupções no fornecimento global de petróleo.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/02/ira-diz-que-guerra-continuara-ate-rendicao-e-arrependimento-permanente-do-inimigo-em-resposta-as-ameacas-de-trump.ghtml.