sábado, 30 de maio de 2026
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Guerra em Teerã: ‘Minha filha está sob os escombros’ – Civis sofrem com bombardeios e repressão

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A vida em Teerã sob bombardeio: o relato de quem perdeu tudo

A mãe em pé, junto aos escombros, clamando por sua filha, é a imagem viva do desespero em Teerã. Há dias ela aguarda por equipes de resgate que escavem os restos do que era o apartamento de sua filha no bairro de Resalat. As bombas de Israel e dos Estados Unidos, direcionadas a alvos ligados ao regime iraniano, têm um impacto devastador sobre os civis.

A cidade vive um conflito há um mês, e a população está presa entre os ataques aéreos e a repressão governamental, que se intensificou após protestos em janeiro. A BBC Eye reuniu depoimentos e imagens que revelam a dura realidade enfrentada pelos moradores.

A análise dessas informações mostra que ataques a alvos estatais em bairros civis de Teerã resultaram em mortes e destruição para a população local. Conforme apuração da BBC Eye, com base em depoimentos de testemunhas, imagens de redes sociais e de satélite, a situação é de extrema gravidade.

Resalat: um bairro residencial transformado em ruínas

No bairro de Resalat, um edifício de apartamentos com vários andares, que abrigava dezenas de famílias, foi destruído por um ataque aéreo israelense em 9 de março. A mãe que buscava sua filha, moradora do local com o marido e a filha pequena, foi encontrada morta sob os escombros dias após o ataque, assim como a menina. O marido sobreviveu.

Um prédio do outro lado da rua também foi atingido. Um morador de 55 anos relatou que o ataque foi tão repentino que ele foi arremessado para o outro lado do cômodo. Ele perdeu tudo, incluindo documentos e pertences pessoais, que agora estão sob os escombros.

Estimativas de autoridades locais e moradores indicam que entre 40 e 50 pessoas morreram apenas neste ataque. Os desabrigados foram alojados em um hotel próximo, mas a sensação é de perda total: “Esta era a nossa vida”, desabafou o homem.

A tecnologia por trás da destruição e o direito internacional

As Forças de Defesa de Israel informaram ao Serviço Mundial da BBC que o alvo era um prédio militar usado pela Basij, força paramilitar ligada à Guarda Revolucionária do Irã. No entanto, a análise das consequências sugere que o impacto foi muito maior.

Imagens de satélite capturadas após o ataque mostram pelo menos quatro edifícios destruídos. As estruturas ao redor do alvo militar parecem ser residenciais, e edifícios a até 65 metros de distância foram gravemente danificados pela explosão.

Moradores descreveram múltiplas explosões em intervalos de poucos segundos, indicando o uso de bombas de alto poder. Especialistas militares sugerem o uso de bombas da série Mark 80, possivelmente a Mark 84 de 907 kg, pela Força Aérea Israelense em Teerã. A ONU já havia alertado sobre os perigos de bombas potentes em áreas povoadas.

Especialistas em direito humanitário internacional consideram o uso de bombas tão pesadas em áreas densamente povoadas como desproporcional e potencialmente ilegal, devido ao dano previsível a civis.

Alvos militares em áreas civis: a linha tênue entre guerra e tragédia

Desde o início do conflito, Israel alega ter lançado mais de 12 mil bombas em todo o Irã, e os Estados Unidos afirmam ter atingido mais de 9 mil alvos. Muitos desses ataques visaram delegacias, prédios da Basij, quartéis, universidades militares e policiais, e residências de membros da Guarda Revolucionária.

O problema é que muitos desses alvos estão localizados em bairros civis movimentados. Em 1º de março, um ataque israelense atingiu uma delegacia de polícia perto de uma praça onde famílias se reuniam após o jejum do Ramadã. Testemunhas relataram pelo menos 20 mortos, embora a BBC não tenha confirmado o número exato.

As Forças de Defesa de Israel confirmaram o ataque, afirmando ter atingido um “alvo militar”. Contudo, a análise da zona de impacto sugere que os danos se estenderam além do alvo declarado, violando o direito internacional humanitário que exige a distinção entre bens civis e militares e a proporcionalidade dos ataques.

O impacto humano e a falta de preparo do regime

A agência HRANA reporta que 1.464 civis, incluindo 217 crianças, foram mortos no Irã no primeiro mês do conflito. Moradores relatam que os ataques a áreas residenciais podem aumentar o ressentimento contra o próprio regime iraniano.

Em Teerã, a crítica às autoridades iranianas é generalizada. Há pouca ou nenhuma provisão de medidas básicas de segurança, como abrigos públicos, apoio à evacuação ou acomodação temporária para os deslocados. Muitos moradores afirmam não ter recebido orientações claras sobre como se proteger.

“Não há sirenes, nem avisos”, disse um morador. “Só se ouve a explosão.” Diante da falta de comunicação e do apagão da internet, muitos se sentem expostos e incertos. O governo iraniano não divulgou protocolos de defesa civil. Enquanto EUA e Israel afirmam mirar a infraestrutura estatal, em Teerã, essa infraestrutura está intrinsecamente ligada à vida civil, resultando em casas perdidas, famílias destruídas e a sensação de que nenhum lugar é seguro.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/03/29/como-civis-em-teera-estao-sofrendo-os-impactos-da-guerra-minha-filha-esta-sob-os-escombros.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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