sábado, 30 de maio de 2026
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Trump ameaça Irã com ‘munições’ se negociações falharem; Teerã impõe condições

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Trump ameaça Irã com ‘munições’ se negociações falharem; Teerã impõe condições

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom contra o Irã, afirmando que o país está vivo apenas para negociar e prometendo uma resposta contundente caso as conversas fracassem. Paralelamente, o Irã estabeleceu condições para avançar no diálogo, que terá lugar no Paquistão.

Representantes dos dois países se reúnem a partir deste sábado (11) em Islamabad, capital do Paquistão, em um cenário marcado por um cessar-fogo considerado frágil. Teerã alega que o acordo já foi violado por rivais, incluindo Israel.

Em declarações nesta sexta-feira (10), Trump sustentou que o Irã não possui poder de barganha real e que sua sobrevivência política atual se deve unicamente à possibilidade de negociação.

“Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas na manga, além de uma extorsão de curto prazo ao mundo por meio do uso de vias navegáveis internacionais. A única razão de ainda estarem vivos hoje é para negociar!”, publicou Trump em sua rede social, Truth Social.

O presidente americano também indicou que o exército dos EUA está com seus navios “carregando as melhores munições” para um eventual fracasso das negociações de paz. A declaração foi feita em entrevista ao jornal “The New York Post”.

“Vamos descobrir em breve, em cerca de 24 horas”, disse Trump ao ser questionado sobre suas expectativas para o sucesso das conversas. “Estamos reiniciando tudo, carregando os navios com as melhores munições, as melhores armas já feitas — ainda melhores do que as que usamos antes, e com as quais os destruímos completamente. E, se não tivermos um acordo, vamos usá-las de forma muito eficaz”, afirmou.

Trump também comentou que os iranianos “são melhores em lidar com a imprensa de fake news e com ‘relações públicas’ do que em lutar”. Ao “NY Post”, ele expressou desconfiança sobre a veracidade das informações vindas do regime iraniano e acusou Teerã de contradições públicas e privadas sobre seu programa nuclear.

Por outro lado, o Irã apresentou suas exigências para que as negociações prossigam. O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, declarou que os EUA precisam cumprir seus compromissos, incluir o Líbano no cessar-fogo e cessar os ataques israelenses contra o país, segundo a mídia estatal iraniana.

A agência de notícias semioficial iraniana Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária, informou que as conversas marcadas para sábado não ocorreriam a menos que Israel interrompesse seus ataques no Líbano. Além disso, um alto representante iraniano afirmou que as negociações com os EUA não podem começar enquanto ativos iranianos bloqueados no exterior não forem liberados.

“Duas das medidas acordadas entre as partes ainda não foram implementadas: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos bloqueados antes do início das negociações. Essas duas questões precisam ser cumpridas antes que as negociações comecem”, disse o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma publicação no X.

Em um tom ligeiramente mais otimista, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, que participará das conversas em Islamabad, expressou expectativa positiva. “Estamos ansiosos pela negociação. Acho que será positiva. Veremos, é claro, se os iranianos estarão dispostos a negociar de boa fé, e certamente estaremos dispostos a estender a mão. Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva”, declarou Vance.

Vance acrescentou que Donald Trump passou aos negociadores “diretrizes bem claras” para as tratativas, sem, no entanto, detalhar quais seriam.

Apesar do cessar-fogo incerto, altos escalões dos governos dos Estados Unidos e do Irã se reunirão para buscar o fim definitivo da guerra. As negociações foram agendadas para este sábado (11).

Do lado americano, a delegação incluirá o vice-presidente JD Vance, o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o conselheiro e genro de Trump, Jared Kushner. A participação iraniana ainda não foi detalhada.

As conversas ocorrerão em um hotel de luxo em Islamabad, capital do Paquistão, país que atua como mediador do diálogo. O encontro já se inicia em meio a uma disputa de narrativas sobre o cessar-fogo, um passo crucial para o sucesso das negociações e para a esperança de um fim pacífico para o conflito.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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