sábado, 30 de maio de 2026
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Tico Santa Cruz: Novo álbum do Detonautas é “completamente diferente”

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Detonautas lança “Rádio Love Nacional” com sonoridade inédita

O Detonautas, banda com quase trinta anos de estrada e sucessos como “Quando o Sol se For” e “Olhos Certos”, está em uma nova fase com o lançamento de seu nono álbum de estúdio, “Rádio Love Nacional”. O disco, disponível nas plataformas digitais, apresenta 11 faixas inéditas que mesclam rock, pop, eletrônico e referências da música brasileira, propondo uma sonoridade que Tico Santa Cruz, vocalista da banda, descreve como “completamente diferente de tudo o que eles (fãs) estão acostumados a ouvir”.

A proposta do álbum, segundo o vocalista, é fugir do convencional, inclusive dentro do próprio universo do rock. “A gente conseguiu construir uma obra diferente do que está acontecendo hoje. Sem querer ser pretensioso, mas podendo ser um pouco, até dentro do próprio universo do rock mesmo”, afirma Tico Santa Cruz. A banda, formada atualmente por Tico Santa Cruz, Renato Rocha, Fábio Brasil, Phil Machado e André Macca, busca com “Rádio Love Nacional” expandir seus horizontes musicais.

O primeiro single, “Potinho de Veneno”, lançado em outubro de 2025, foi recebido com entusiasmo pelo público, alcançando o primeiro lugar em rádios do segmento pop rock. A música, criada durante a pandemia de Covid-19, serviu como um marco para a identidade sonora do novo trabalho. “Ela imediatamente foi para o primeiro lugar do segmento. […] Ela bateu muito bem, ela ficou em primeiro lugar nas rádios todas que tocaram o segmento pop rock”, celebra o cantor.

Colaborações e ousadias no novo disco

Uma das faixas que gerou maior repercussão foi “Vampira”, que conta com a participação especial de Milton Cunha. A música, considerada ousada por sua temática e arranjos, dividiu opiniões entre os fãs. “‘Vampira’ gerou algum estranhamento em uma parte dos fãs. […] Teve uma galera que gostou muito e teve outra que estava tentando entender o que estava acontecendo, ainda não tinha conseguido absorver. E uma galera que falou: ‘Isso não é rock’. E está tudo bem. Porque na verdade a gente está trabalhando justamente com essas reações”, explica Tico.

A escolha de Milton Cunha para a colaboração surgiu da necessidade de uma voz marcante e reconhecível, que remetesse ao universo lúdico e carnavalesco da canção. “A voz do Milton é muito poderosa, todo mundo reconhece. […] E aí eu falei: ‘Não, vamos tentar fazer com o Milton Cunha’. Ele tem tudo a ver, porque a gente está falando da ‘Vampira’, uma alegoria, uma fantasia e tem a ver com o Carnaval”, detalha o vocalista sobre a parceria com o carnavalesco, conhecido por seus bordões.

A espiritualidade também é um tema explorado no álbum, com faixas como “Fim da Encruzilhada”, “Capa Preta” e “Antimonotonia”. Tico Santa Cruz ressalta a presença de símbolos e referências a religiões de matriz africana nas letras. “São símbolos que estão relacionados a essa questão da espiritualidade. Quando você escuta, por exemplo, o ‘Antimonotonia’, existem inúmeras referências simbólicas que a gente tem das religiões de matriz africana, que é onde a gente está trabalhando, em cima desse referencial espiritual”, pontua.

“Rádio Love Nacional”: uma estação musical diversificada

O conceito por trás de “Rádio Love Nacional” é justamente a ideia de uma estação de rádio que transita por diversos estilos musicais, mas sempre com o rock como fio condutor. “O ‘Rádio Love Nacional’ se trata justamente de como se fosse uma estação de rádio que está transitando por vários estilos. Mas todos eles estão conectados com o rock. Em todos eles o rock está presente. São formas diferentes de se fazer rock”, explica Tico. A produção do álbum é assinada por Pablo Bispo e Ruxell.

A banda sempre buscou a fusão de gêneros em sua discografia, desde o início. “Desde o primeiro álbum, a gente tem um baião e um rap também no meio de uma música que é um dos maiores sucessos”, lembra o cantor, destacando a longevidade e a força do repertório do Detonautas.

O vocalista enfatiza que o catálogo de sucessos da banda já seria suficiente para sustentar shows por muitos anos. “A gente tem hoje um repertório que se porventura a gente não quisesse mais lançar nenhum disco, esse repertório por si já seria suficiente para a gente poder continuar fazendo show até o fim da vida. Porque são muitas canções, muitos hits, a gente sabe e entende que quando a gente se apresenta, por exemplo, num festival onde tem outras bandas, o público de outras bandas conhece a nossa música, às vezes não é tão fã do Detonautas, mas gosta de ouvir e canta”.

A conexão duradoura com os fãs

Formado em 1997, o Detonautas conquistou uma base de fãs fiel que atravessa gerações. Tico Santa Cruz descreve essa relação como uma memória emocional forte. “Os nossos fãs são da geração 2000. Amadureceram, cresceram. Nós os vimos adolescentes e hoje encontramos esses fãs já com família, posicionados profissionalmente. Eles levam seus filhos, inclusive, para poder assistir aos nossos shows. Eu acho legal quando você consegue passar de geração por geração, porque isso dá uma consciência muito de que nós somos artistas que geraram uma memória emocional muito forte com esse público”.

Essa conexão se manifesta de diversas formas, desde trilhas sonoras de momentos importantes da vida até suporte em fases difíceis. “Muitas pessoas usam músicas do Detonautas para superação, para momentos difíceis. Algumas pessoas me falam: ‘A música ‘tal’ me ajudou muito no momento de depressão, no momento que eu estava passando por uma fase difícil’. Então, acho que a gente acessa vários lugares da alma humana e isso fortalece muito essa relação, esse vínculo com os fãs. É bem bacana mesmo, acredito”, complementa.

Uma banda de amigos com 16 anos de formação atual

A longevidade do Detonautas é atribuída à amizade e ao respeito mútuo entre os integrantes. “O Detonautas é uma banda de amigos. Não é uma banda de pessoas que estão ali só pelo trabalho. A gente tem o privilégio de trabalhar com música, viajar todo final de semana, estar cada dia em um lugar diferente. Tem uma brincadeira que a gente faz interna: ‘Não parece, mas é trabalho’. Porque é um trabalho duro, na verdade, bem difícil, árduo, que demanda muita energia”, relata Tico.

Ele destaca a importância do respeito para a harmonia do grupo. “A gente só conseguiu construir isso por conta do respeito que a gente tem uns pelos outros, dentro do Detonautas. Cada um já se conhece, já sabe o momento em que pode falar alguma coisa ou não”. A formação atual da banda, que conta com 16 anos de existência, é composta por amigos que compartilham essa mesma conexão. “A formação [atual] do Detonautas já tem 16 anos. É bem longa e formada por amigos”, conclui.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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