sábado, 30 de maio de 2026
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Servidores da Uerj em greve realizam ato unificado no TJ cobrando recomposição salarial e mais recursos

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Uerj: Greve unificada cobra mais verbas e salários após mês de paralisação

Servidores técnicos, docentes e estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizam, nesta quarta-feira (15), um ato-vigília em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ), no Centro. A mobilização marca a primeira manifestação unificada dos três segmentos desde o início da greve, que começou com os docentes no fim de março.

A paralisação, a primeira em cerca de uma década, foi motivada principalmente pela falta de avanços na recomposição salarial e pela cobrança de perdas inflacionárias acumuladas. Com o passar dos dias, o movimento ganhou adesão de outros segmentos da universidade, ampliando a pauta para além das questões salariais.

Antes da vigília, os comandos de greve dos três segmentos se reuniram para definir as propostas a serem levadas ao governo. Entre os consensos está a necessidade de que a greve não se limite à recomposição salarial, incorporando também demandas estruturais que impactam toda a comunidade acadêmica.

O orçamento insuficiente da universidade aparece como uma das principais preocupações. Segundo os organizadores, a falta de recursos tem afetado diretamente o pagamento de bolsas estudantis, o financiamento de pesquisas e auxílios como Saúde e Educação, que tiveram pagamentos suprimidos.

Também são citados valores considerados insuficientes para a permanência de pesquisadores em um estado com alto custo de vida, além de problemas estruturais que comprometem o desenvolvimento acadêmico. A precarização das condições de trabalho também está no centro das reivindicações, incluindo os baixos salários dos docentes.

Ampliação da pauta para além do salário

A greve na Uerj, que inicialmente focava na recomposição salarial e na correção de perdas inflacionárias acumuladas, expandiu seu escopo para incluir uma série de outras demandas cruciais para a manutenção e o desenvolvimento da universidade. A paralisação, que teve início com os docentes em março, tornou-se um movimento unificado envolvendo também servidores técnicos e estudantes.

A ampliação da pauta reflete um sentimento generalizado de insatisfação com a gestão dos recursos e as condições de funcionamento da instituição. Um dos pontos centrais é o orçamento insuficiente, que tem gerado impactos diretos em diversas áreas.

O pagamento de bolsas estudantis, essencial para a permanência de muitos alunos na universidade, tem sido comprometido. Da mesma forma, o financiamento de pesquisas e auxílios importantes, como os de Saúde e Educação, sofreram cortes ou supressões de pagamento.

A dificuldade em manter pesquisadores no estado também é uma preocupação recorrente. O alto custo de vida no Rio de Janeiro, somado a valores de bolsas e auxílios considerados insuficientes, dificulta a atração e retenção de talentos, prejudicando o avanço científico e acadêmico da Uerj.

Precarização e assédio: demandas urgentes

A precarização das condições de trabalho é outro eixo fundamental das reivindicações dos servidores da Uerj. Os baixos salários dos docentes são um reflexo dessa situação, impactando a motivação e a qualidade do ensino oferecido.

Além das questões salariais e orçamentárias, o debate sobre assédio dentro da universidade ganhou destaque. O movimento denuncia que tanto trabalhadores quanto estudantes são vítimas de situações de assédio, demandando medidas efetivas de combate e prevenção.

Nesse contexto, há uma forte defesa pela inclusão dos trabalhadores terceirizados nas discussões. O movimento aponta que esses trabalhadores são os mais vulneráveis a situações como atrasos salariais e condições precárias de trabalho, necessitando de atenção e proteção específicas.

Os três segmentos também cobram maior compromisso da Reitoria com promessas feitas durante a campanha eleitoral. A ampliação do diálogo antes da adoção de medidas administrativas é vista como essencial para a construção de um ambiente universitário mais democrático e participativo.

Encontro com o governo e futuro da greve

A manifestação no TJ, realizada na esquina das avenidas Erasmo Braga e Antônio Carlos, em frente à antiga entrada principal do órgão, é um sinal claro da articulação entre os diferentes setores da Uerj. O ato-vigília busca pressionar o governo do estado por respostas concretas às demandas apresentadas.

Após a reunião dos comandos de greve, os manifestantes seriam recebidos pelo governador em exercício e presidente do TJ, Ricardo Couto, no início da tarde. A expectativa é que o encontro possa abrir caminhos para a negociação e a resolução do impasse.

A continuidade da greve e os próximos passos do movimento dependerão do resultado dessa conversa e das propostas que o governo apresentar. A comunidade acadêmica da Uerj demonstra união e determinação em busca de melhores condições para a universidade e seus trabalhadores.

A situação da Uerj reflete um cenário mais amplo de desafios enfrentados pelas universidades públicas no Brasil, que lutam por financiamento adequado e condições dignas de trabalho diante de orçamentos restritos e prioridades políticas que nem sempre contemplam a educação e a ciência.

A persistência da greve e a articulação dos segmentos demonstram a força da mobilização estudantil e docente em defesa de uma universidade pública forte e acessível a todos, capaz de formar profissionais qualificados e gerar conhecimento para o desenvolvimento do estado e do país.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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