Romeu Tuma Jr. renuncia ao Conselho do Corinthians e acusa Stabile de ‘traição’
Romeu Tuma Jr. renunciou ao cargo de presidente do Conselho Deliberativo do Corinthians. O anúncio foi feito em nota oficial publicada nas redes sociais nesta segunda-feira (13). A decisão ocorre após a suspensão judicial da Assembleia Geral de sócios, que estava marcada para o último sábado (18), onde seria votada a reforma do estatuto do clube.
Em sua declaração, Tuma Jr. afirmou que a sua permanência na presidência do Conselho passou a ser utilizada pelo presidente da Diretoria, Osmar Stabile, como argumento para inviabilizar a votação da reforma. Ele descreveu a situação como a “construção de uma operação política destinada a bloquear a vontade dos associados”.
O agora ex-presidente do Conselho Deliberativo foi além em suas acusações, declarando que Stabile se utiliza de um terceiro para propor a ação judicial que suspendeu a votação. Segundo Tuma Jr., isso ocorre “porque tem medo de ser julgado exatamente pelo que é: um traidor”. A informação sobre a suspensão da votação foi confirmada pelo Corinthians.
Ação judicial impede votação da reforma estatutária
A assembleia que deveria decidir sobre a reforma do estatuto do Corinthians foi liminarmente suspensa por determinação judicial. A decisão atendeu a um pedido do conselheiro Felipe Ezabella, figura conhecida na política corintiana e membro do Conselho de Orientação (Cori).
A Assembleia Geral foi convocada pelo próprio Romeu Tuma Jr. após ele suspender uma reunião anterior do Conselho Deliberativo. Naquela ocasião, Tuma Jr. alegou que conselheiros contrários à reforma teriam organizado uma confusão para impedir o andamento da discussão. Relatos indicam que, durante a reunião do Conselho, Osmar Stabile teria feito acusações contra Tuma Jr., gerando um clima de tumulto generalizado.
Posteriormente, Stabile convocou outra reunião do Conselho com o objetivo de votar o afastamento de Romeu Tuma Jr. A maioria dos conselheiros presentes teria votado a favor da saída de Tuma Jr. Contudo, Tuma e o vice-presidente do Conselho Deliberativo, Leonardo Pantaleão, não reconheceram a legitimidade dessa convocação, baseando-se no estatuto vigente.
Romeu Tuma Jr. já estava em processo de afastamento
Vale ressaltar que Romeu Tuma Jr. já se encontrava em uma situação de “afastamento” do cargo desde o dia 23 de março. Naquela data, uma votação no Conselho Deliberativo resultou em 115 votos a favor da sua saída, contra 15 votos contrários e 7 abstenções.
Tuma Jr. não participou dessa reunião, por não considerar a votação legal. Diante disso, Maria Ângela Ocampos, a primeira secretária do Conselho Deliberativo, encerrou o encontro por questionar a legalidade da reunião convocada por Stabile. Uma parte dos conselheiros presentes discordou da decisão.
Ainda que a decisão de Tuma Jr. de renunciar formalize o seu desligamento, a polêmica em torno da gestão e das decisões internas no Corinthians parece longe de um desfecho. Felipe Ezabella e outros sócios e conselheiros deixaram o Parque São Jorge criticando a postura da secretária, evidenciando as profundas divisões políticas no clube.
Futuro do Conselho Deliberativo e da reforma estatutária
Com o afastamento de Romeu Tuma Jr., a presidência do Conselho Deliberativo do Corinthians será assumida por Leonardo Pantaleão, atual vice-presidente. A sucessão no cargo abre um novo capítulo na política interna do clube, em um momento de forte tensão e disputas de poder.
A suspensão da votação da reforma estatutária também adiciona incerteza ao futuro do clube. A reforma é vista por muitos como um passo crucial para a modernização da gestão e para a adequação do Corinthians às exigências do futebol moderno. A forma como a questão será retomada e quais serão os próximos passos para a aprovação ou rejeição das propostas de alteração estatutária ainda são pontos de interrogação.
A crise interna no Corinthians, marcada por acusações e disputas judiciais, reflete os desafios enfrentados por grandes clubes brasileiros na gestão de suas estruturas complexas e na conciliação de diferentes interesses políticos. A renúncia de Tuma Jr. e as declarações contundentes contra Osmar Stabile evidenciam a profundidade do racha no Conselho Deliberativo e na Diretoria do Timão.
O desenrolar desses eventos terá impacto direto na governança e nas decisões futuras do Corinthians, especialmente no que diz respeito à sua estrutura administrativa e às regras que regem o clube. A torcida acompanha de perto, esperando por definições que tragam estabilidade e um rumo claro para a equipe.