Gabriel Villela transforma casa histórica em refúgio criativo do teatro brasileiro: ‘A vida dói menos aqui’
Em meio às paisagens de Carmo do Rio Claro, Minas Gerais, uma residência com quase dois séculos de história se tornou um epicentro de criação artística. A casa, que pertenceu aos avós do renomado diretor Gabriel Villela, foi idealizada como um espaço para o desenvolvimento de espetáculos teatrais, longe da agitação dos grandes centros urbanos.
Inspirada na arquitetura colonial, a construção preserva a memória familiar e a identidade histórica da região. Ao longo dos anos, o local se expandiu e passou a acolher não apenas ensaios, mas também oficinas e encontros de importantes nomes das artes cênicas brasileiras, como Francisco Cuoco e Thiago Lacerda.
A expedição especial “Travessia das Águas”, do g1 Sul de Minas e da EPTV, que percorre o Lago de Furnas, destaca a relevância deste espaço. Conforme informação divulgada pelo g1, a residência abriga ensaios e oficinas de grandes nomes das artes cênicas, consolidando-se como um polo de inspiração. A formação da represa, na década de 1960, impactou a família, que teve terras submersas, um fato marcante na história do local.
Um Oásis de Criatividade à Beira do Lago
A casa, com sua arquitetura inspirada no período do ciclo do ouro, é um testemunho vivo da passagem do tempo e das gerações. Gabriel Villela, diretor artístico, concebeu o projeto com o propósito de criar um ambiente de trabalho propício à imersão criativa, cercado pela beleza natural e pela tranquilidade.
A proximidade com o Lago de Furnas é um elemento crucial na experiência dos artistas. O lago não é apenas um cenário contemplativo, mas também um espaço de lazer que contribui para o bem-estar e o equilíbrio durante os intensos períodos de ensaio. Atividades como natação e passeios de barco se tornam parte da rotina.
O ator Cláudio Fontana descreve o local como “uma ilha de inspiração”, onde os artistas podem acompanhar todo o processo de criação, desde o figurino até a cenografia, o que facilita a compreensão da visão do diretor. Essa imersão completa é um dos grandes diferenciais do refúgio criativo.
Palco de Grandes Montagens e Histórias Memoráveis
Diversas montagens teatrais de relevância nacional nasceram ou foram ensaiadas neste espaço. Adaptações de clássicos de William Shakespeare e obras como “Morte e Vida Severina”, que reuniu elencos numerosos, ganharam forma ali. A casa se tornou um verdadeiro laboratório para a experimentação e o desenvolvimento de espetáculos.
Artistas consagrados como Francisco Cuoco, Titina Medeiros, Thiago Lacerda, Marcelo Antony, Silvia Buarque e Raul Gazolla já passaram pelo refúgio. Em alguns casos, os espetáculos estrearam na própria cidade, em um teatro local que leva o nome da avó de Villela, reforçando a conexão entre a memória familiar e a produção artística.
Uma história curiosa envolve Raul Gazolla, que, ao tentar atravessar o lago a nado, se perdeu com o anoitecer e precisou ser resgatado, um episódio que hoje é lembrado com bom humor e se tornou uma das muitas anedotas do local.
Legado e Continuidade da Criação Artística
Mesmo com agendas que os levam a grandes centros como São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre, Gabriel Villela continua a utilizar a casa como sua base criativa. O espaço funciona também como um acervo, armazenando cenários e figurinos que já foram expostos até mesmo fora do Brasil.
Novos projetos e criações artísticas seguem em andamento, mantendo viva a proposta original de transformar um local histórico em um centro pulsante de arte. A residência à beira do Lago de Furnas reafirma seu papel como um santuário para o teatro brasileiro, onde a inspiração flui livremente, e, como diz Villela, “a vida dói menos aqui”.