quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Produção de Cevada Dispara no Brasil, Mas Queda no Consumo de Cerveja Acende Alerta na Indústria: Entenda o Cenário

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Produção de cevada cresce, mas queda no consumo de cerveja acende alerta na indústria

A produção brasileira de cevada, matéria-prima essencial para a fabricação de cerveja, tem apresentado um crescimento notável. O país avança em direção à autossuficiência, impulsionado por investimentos significativos no campo e na indústria. No entanto, um novo cenário se desenha, com a alteração nos hábitos de consumo, principalmente entre as novas gerações, levantando preocupações para o setor cervejeiro e seus fornecedores.

O Brasil produz anualmente entre 400 mil e 500 mil toneladas de cevada, concentrando a maior parte no Sul do país. O Paraná lidera a produção nacional, beneficiado por condições climáticas favoráveis, solos adequados para grãos de inverno e um forte sistema cooperativista, segundo Salatiel Turra, analista do Sistema Ocepar. A Cooperativa Agrária, com sua fundação de pesquisa agropecuária, tem sido fundamental na elevação da qualidade do cereal.

Apesar do avanço, a demanda da indústria cervejeira brasileira, que supera 800 mil toneladas anuais, ainda exige a importação complementar de cevada, especialmente para atender a padrões de qualidade específicos para a malteação. Esse cenário, conforme informações divulgadas pelo Sistema Ocepar, sinaliza tanto o potencial quanto os desafios do setor. Acompanhe os detalhes dessa importante cadeia produtiva.

Crescimento da Produção Nacional e Investimentos na Cadeia

A produção de cevada no Brasil tem se destacado pelo aumento constante. Agricultores como Bruno Reinhofer, com 19 anos de experiência no cultivo em Reserva do Iguaçú (PR), relatam o bom desempenho da cultura, especialmente com a introdução de novas variedades. A escolha pela cevada se justifica pela sua tecnicidade e mercado promissor.

Paralelamente, a indústria de malte, responsável por transformar a cevada em malte, um insumo vital para a cervejaria, tem recebido investimentos robustos. A Maltaria Campos Gerais, em Ponta Grossa (PR), por exemplo, é a maior do país e demandou um investimento de R$ 1,6 bilhão, com capacidade para produzir 240 mil toneladas de malte anualmente, necessitando de cerca de 300 mil toneladas de cevada cervejeira.

Mesmo com a utilização de cevada importada, principalmente da Argentina, a produção nacional ganha força, apoiada por cooperativas e avanços em pesquisa. Vilmar Schüssler, gerente da Maltaria Campos Gerais, destaca que o apoio aos produtores e o desenvolvimento tecnológico são os pilares desse crescimento acelerado.

Mudanças no Consumo de Bebidas Alcoólicas e Impacto na Indústria

A região dos Campos Gerais, no Paraná, tem atraído vultosos investimentos de grandes cervejarias, como Ambev e Grupo Heineken, que expandiram suas unidades industriais e inauguraram novas plantas, como a de garrafas de vidro da Ambev. Esses investimentos na cadeia produtiva foram cruciais para o desenvolvimento da produção de malte no Brasil.

Contudo, o cenário recente inspira cautela. O Grupo Heineken anunciou demissões globais devido a um crescimento menor nos lucros. Mas a preocupação maior reside na mudança de hábitos dos consumidores. A Geração Z, jovens nascidos entre o final dos anos 1990 e o início de 2010, tem apresentado uma tendência de queda significativa no consumo de bebidas alcoólicas.

Pesquisas indicam que entre 46% e 64% dos jovens de 18 a 24 anos não consumiram álcool no último ano. Essa redução no consumo de cerveja, conforme Salatiel Turra, pode levar as maltarias a serem mais cautelosas quanto à expansão de capacidade e novos investimentos, impactando diretamente as decisões de área de plantio e adoção de novas tecnologias no campo.

Novos Mercados e Potencial de Autossuficiência da Cevada

Diante desse quadro, o setor de cevada busca diversificar suas aplicações para além da indústria cervejeira. Salatiel Turra aponta um grande potencial na alimentação humana, com destaque para produtos integrais e funcionais, além da alimentação animal. Estudos também exploram aplicações industriais e energéticas.

Vilmar Schüssler complementa que, embora a produção atual seja majoritariamente voltada para o malte, o mercado forrageiro para animais representa uma alternativa viável. A aposta no crescimento da cevada no Brasil é forte, com projeções de autossuficiência em médio prazo.

Noemir Antoniazzi, pesquisador da Fundação Agrária de Pesquisa Agropecuária, reforça essa visão, destacando que os avanços em genética permitem o cultivo de cevada em novas regiões, ampliando o acesso de produtores e mantendo altos padrões de qualidade. A expectativa é que o Brasil possa, em breve, suprir toda a sua demanda interna de cevada.

Fonte consultada: https://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/producao-cevada-cresce-queda-consumo-cerveja-alerta-industria/.

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