sábado, 30 de maio de 2026
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Por que é tão difícil dizer ‘não’? Psicologia explica dificuldade em impor limites e a busca por aprovação

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Entenda a psicologia por trás da dificuldade em dizer “não” e como isso afeta sua vida

Ser a pessoa solícita, colaborativa e sempre disponível pode render elogios, mas até quando dizer “sim” para tudo é um sinal de gentileza e quando se torna um fardo? Essa questão é o cerne da nova investigação de Felca no quadro “Sobre Nós”, do Fantástico, que explora por que algumas pessoas enfrentam um verdadeiro pânico ao recusar pedidos.

A dificuldade em dizer “não” é um comportamento comum que, segundo especialistas, pode esconder uma profunda insegurança, uma constante necessidade de aprovação e, em muitos casos, relações desequilibradas. A busca por ser bem quisto, muitas vezes, nos leva a aprender que concordar sempre é o caminho para a aceitação.

Felca compartilha uma experiência pessoal que ilustra essa dinâmica: “Esses dias aconteceu uma coisa muito estranha comigo. Eu estava na casa de um amigo e ele me ofereceu um bolo que tinha na geladeira. Eu disse sim, mesmo não estando com vontade nenhuma. Por que eu disse que queria, sendo que não queria?” Essa reflexão nos conecta com a dificuldade em expressar nossos verdadeiros desejos.

Conforme explica o psiquiatra e psicanalista Álvaro Ancona, essa dificuldade está intrinsecamente ligada ao desejo de aceitação. “Todo mundo quer ser bem quisto, quer ser querido. E, às vezes, a gente aprende a se relacionar achando que ser querido é sinônimo de não dizer ‘não’ para ninguém”, afirma Ancona, ressaltando que a percepção desse padrão surge frequentemente quando nos damos conta de que “não consigo negar nada”.

A busca por aceitação e suas consequências

Essa dificuldade em impor limites pode se manifestar em diversas fases da vida e em diferentes contextos, como no ambiente profissional, social ou em relacionamentos amorosos. O problema central, segundo Ancona, é que “se eu não consigo identificar o meu desejo, mas apenas o dos outros, vou agir de acordo com isso. E aí não consigo construir uma vida baseada no que eu quero, porque nem sei ao certo o que quero”.

Felca relata ter chegado a um ponto em que sentiu ter perdido o controle da própria rotina. “Teve um momento em que eu percebi que estava sem controle da minha vida. Quando chegava em casa, no tempo que seria para mim, eu precisava resolver pendências que aceitei no passado. Eu tinha que atender expectativas que eu mesmo criei”, conta.

Impor limites não é egoísmo, é equilíbrio

O psiquiatra Álvaro Ancona destaca que funcionar nesse padrão pode ser extremamente desgastante. “Funcionar assim dá muito trabalho. A pessoa passa o tempo inteiro tentando corresponder às expectativas dos outros, e isso acaba parecendo natural. Ela vira ‘o amigo que faz tudo'”, descreve.

Para o especialista, é fundamental entender que impor limites não significa ser frio ou egoísta. “Dizer ‘não’ não é ser egoísta. Egoísta é quem nunca pensa no outro. O equilíbrio está em entender que, às vezes, a resposta será ‘sim’ e, em outras, ‘não’. Não dá para aceitar tudo o que pedem”, enfatiza.

O primeiro “não” pode ser menos assustador do que parece

Ancona sugere que observar e praticar novas formas de comportamento pode ser um caminho. “Muitas vezes, quando começamos a dizer ‘não’, percebemos que não é tão terrível quanto imaginávamos. As pessoas, em geral, não reagem de forma tão negativa”, completa.

O podcast “Isso é Fantástico” aprofunda o tema com a participação do psiquiatra Luiz Alberto Retten, autor do livro “Diga não, estabeleça e defenda seus limites”, oferecendo mais insights sobre como desenvolver a assertividade e proteger seu bem-estar. A dificuldade em dizer “não” é um convite à reflexão sobre nossos próprios limites e a busca por uma vida mais autêntica e equilibrada.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/03/31/o-que-a-psicologia-diz-sobre-pessoas-que-tem-panico-de-dizer-nao-felca-investiga.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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