Operação Fallax: Justiça liberta suspeitos de fraudes bancárias milionárias; entenda os motivos
A Justiça Federal de São Paulo decidiu pela soltura de 16 dos 18 investigados na Operação Fallax, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 25 de março. A operação combate um esquema de fraudes bancárias que pode ter movimentado mais de R$ 500 milhões.
A decisão, proferida pela juíza Maria Isabel do Prado, da 5ª Vara Criminal Federal de São Paulo, baseou-se em fatores como a ausência de violência nos crimes investigados e a falta de indícios de que os suspeitos tentariam fugir.
Os detalhes foram divulgados pelo g1, que também obteve declarações das defesas dos investigados. As investigações apontam para um esquema complexo que utilizava empresas de fachada e cooptação de agentes do sistema financeiro.
Justiça aponta crime sem violência e ausência de fuga como justificativas
A juíza Maria Isabel do Prado justificou a concessão da liberdade provisória pela natureza dos crimes investigados. Segundo a magistrada, as fraudes bancárias não envolveram violência ou grave ameaça contra as pessoas.
Além disso, a ausência de antecedentes criminais e de indicativos de fuga por parte da maioria dos investigados foram cruciais para a decisão. A juíza ressaltou que as medidas cautelares de busca e apreensão e de sequestro de bens já foram cumpridas, o que ameniza o risco à instrução criminal.
Medidas cautelares impostas aos investigados
Apesar da soltura, os investigados deverão cumprir uma série de medidas cautelares impostas pela Justiça. Entre elas, estão o comparecimento mensal em juízo e a entrega dos passaportes.
Eles também estão proibidos de manter contato com outros investigados, de mudar de endereço sem autorização judicial e de operar contas bancárias em nome de terceiros. A suspensão das atividades empresariais e o afastamento de cargos em instituições financeiras também foram determinados.
Dois investigados permanecem presos; outros dois já haviam obtido liberdade
Dois dos 18 presos, Pedro Guilherme Gosmim e Luiz Guilherme da Silva Fermino, ambos de Americana (SP), tiveram a prisão mantida. A Justiça alegou que eles teriam demonstrado intenção de fuga no momento do cumprimento dos mandados.
Outros dois suspeitos já haviam conseguido a liberdade anteriormente. Rodrigo Nagao Schissatti obteve liberdade por meio de habeas corpus, e Thiago Branco de Azevedo, apontado como chefe do esquema, se apresentou na delegacia e teve sua liberdade concedida posteriormente.
Esquema milionário com empresas de fachada e “laranjas”
A Operação Fallax investiga um esquema que utilizava empresas de fachada e a cooptação de pessoas, conhecidas como “laranjas”, para movimentar ilegalmente valores. Pessoas eram pagas com quantias pequenas, como R$ 150 e R$ 200, para emprestar seus nomes.
Gerentes de bancos, incluindo da Caixa Econômica Federal, também teriam recebido “comissões” para facilitar o esquema. Segundo a PF, já foram identificadas movimentações de pelo menos R$ 47 milhões, com a expectativa de que o valor total das fraudes ultrapasse R$ 500 milhões.
O esquema era dividido em quatro núcleos: bancário, contábil, financeiro e de cooptação. Thiago Branco de Azevedo, o “Ralado”, seria o responsável pela coordenação geral das operações, incluindo a captação de “laranjas” e a orientação na produção de documentos fraudulentos.
A Caixa Econômica Federal, em nota, informou que colabora integralmente com as investigações e que possui políticas rigorosas de prevenção e combate a fraudes. A instituição reafirmou seu compromisso com a integridade e a transparência.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/sp/piracicaba-regiao/noticia/2026/04/01/fraudes-bancarias-entenda-o-que-levou-a-soltura-dos-alvos-da-operacao-fallax.ghtml.