Conselho de Segurança da ONU adia votação sobre uso de força no Estreito de Ormuz após veto de potências.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas adiou para este sábado (manhã) a votação de uma resolução proposta pelo Bahrein, que visa garantir a livre navegação comercial no Estreito de Ormuz. A medida, que autorizaria o uso de “todos os meios defensivos necessários” por pelo menos seis meses, enfrenta forte oposição de China, Rússia e França, membros permanentes com poder de veto.
A proposta surge em um contexto de tensões elevadas na região, após ataques atribuídos aos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que praticamente fecharam a principal rota marítima de transporte de petróleo. A situação já provocou uma disparada nos preços do petróleo e gerou preocupações sobre a segurança da navegação internacional.
Diplomatas ouvidos pelo The New York Times indicam que os três países se opõem veementemente a qualquer linguagem que permita o uso da força militar, o que pode inviabilizar a aprovação do texto. A possibilidade de um conflito armado na região, com a presença de mísseis e forças iranianas, é um dos principais pontos de preocupação levantados por analistas e líderes internacionais.
Resistência à autorização de força militar
O projeto de resolução finalizado pelo Bahrein busca autorizar o emprego de “todos os meios defensivos necessários” para resguardar a navegação comercial. Contudo, a China, por meio de seu enviado à ONU, Fu Cong, classificou a proposta como uma legitimação do “uso ilegal e indiscriminado da força”, que poderia levar a uma escalada com “graves consequências”.
Fontes diplomáticas revelaram que uma versão anterior do texto já havia sofrido objeções de China, França e Rússia através do “procedimento de silêncio”, um sinal claro de oposição. Esses países também pressionaram pela remoção de trechos considerados mais agressivos da proposta, evidenciando o impasse nas negociações.
Impasse sobre o controle do Estreito de Ormuz
O principal ponto de discórdia, segundo o The New York Times, reside na cláusula que autoriza países a utilizarem “todos os meios necessários” para garantir a passagem e impedir bloqueios no estreito. O Irã, por sua vez, sinalizou sua intenção de manter a supervisão do tráfego na via, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás mundial, o que já impacta significativamente a economia global.
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, descreveu a “tentativa ilegal e injustificada” do Irã de controlar a navegação como uma ameaça aos interesses globais, demandando uma “resposta decisiva”. Ele também acusou o Irã de atacar estruturas civis, como aeroportos e portos.
Análise e possíveis consequências da resolução
Analistas sugerem que a resolução liderada pelo Bahrein pode ter mais um peso simbólico do que prático, dada a limitada capacidade militar dos países do Golfo e sua dependência do apoio dos Estados Unidos. O presidente francês, Emmanuel Macron, também criticou a ideia de reabrir o estreito pela força, considerando-a “irrealista” e alertando para os riscos de ataques e para a presença de mísseis iranianos na região.
Enquanto os Estados Unidos afirmam que continuarão os ataques, ainda não apresentaram um plano claro para a reabertura do estreito. Essa indefinição contribui para a volatilidade nos preços do petróleo e aumenta as preocupações com a segurança da navegação internacional em uma das rotas comerciais mais importantes do mundo.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/03/onu-vota-uso-de-forca-em-ormuz-china-russia-e-franca-se-opoem.ghtml.