Grávidas em Cuba enfrentam a dura realidade de um país em crise, com apagões constantes e falta de suprimentos essenciais, comprometendo a saúde materna e infantil.
Em Cuba, a expectativa de uma nova vida se choca com a dura realidade de um país mergulhado em uma crise econômica e energética sem precedentes. A situação se agrava para as cerca de 32,8 mil mulheres grávidas na ilha, que enfrentam diariamente a escassez de alimentos, a falta de energia elétrica e a precariedade dos serviços de saúde.
O bloqueio imposto pelos Estados Unidos, somado a problemas internos de infraestrutura, resultou em apagões que podem durar um dia inteiro e na drástica redução do fornecimento de combustível. Essa combinação de fatores tem um impacto direto e alarmante na vida das gestantes cubanas, que lutam para garantir o mínimo necessário para si e para seus bebês.
Relatos de mulheres como Mauren Echevarría Peña e Indira Martínez pintam um quadro desolador, onde a esperança de um futuro melhor se mistura ao medo e à incerteza. A falta de recursos básicos, como alimentos e energia, coloca em risco a saúde e o bem-estar de uma das populações mais vulneráveis do país. Conforme divulgado pela BBC, a situação é crítica para muitas gestantes em Cuba.
A luta pela sobrevivência em meio aos apagões
Mauren Echevarría Peña, grávida de alto risco em Havana, relata a apreensão de ter que dar à luz durante um apagão. Ela, que sofre de diabetes gestacional e hipertensão crônica, está internada na maternidade Ramón González Coro, onde, apesar do esforço da equipe médica, a falta de combustível para os geradores é uma preocupação constante. Ela expressa gratidão pelo atendimento recebido, mas o medo de um parto no escuro persiste.
A escassez de combustível e os apagões prolongados, que chegaram a paralisar o sistema elétrico nacional em março, prejudicam seriamente os serviços de saúde na ilha. A dificuldade em manter equipamentos funcionando e em garantir o fornecimento de energia para as unidades médicas cria um ambiente de risco para procedimentos médicos, especialmente para gestantes com condições complicadas.
A fome bate à porta: a escassez de alimentos e a improvisação
Indira Martínez, grávida de sete meses, vive em um subúrbio de Havana e não consegue cozinhar o café da manhã há dias devido à falta de eletricidade. Sua geladeira está vazia e o forno elétrico inoperante. A única alternativa tem sido um forno a lenha improvisado, exigindo que ela acorde de madrugada para preparar qualquer alimento disponível. A família se sustenta com o salário modesto do marido, ferreiro, já que Martínez interrompeu o trabalho como cabeleireira para não expor seu bebê a produtos químicos.
A mãe de Martínez, enfermeira aposentada, expressa profunda preocupação com a falta de alimentos e o alto nível de estresse enfrentado pela filha. Martínez contraiu chikungunya no primeiro trimestre de gravidez, o que a deixou muito debilitada. Apesar de sua saúde fragilizada, os médicos afirmam que a bebê está bem, mas a incerteza sobre o futuro paira no ar.
Um futuro incerto para as novas gerações
Martínez lamenta a falta de apoio do Estado e a dificuldade em obter ajuda, mesmo com a chegada de doações internacionais, como leite em pó enviado pelo México. Ela e o marido sabiam dos desafios ao decidir ter um filho, mas a realidade se mostra ainda mais dura do que o esperado. “Somos nós contra o mundo!”, desabafa, depositando suas esperanças em que tudo dê certo no final.
A educação, outrora um pilar da revolução cubana, também sofre com a falta de investimentos e de professores qualificados. A grave situação econômica obriga muitos jovens a abandonar carreiras para buscar trabalhos mais rentáveis. Martínez, que era técnica de informática e seu marido, contador, precisaram se reinventar como cabeleireira e ferreiro, respectivamente, para garantir o sustento.
A mãe teme pelo futuro de sua filha, Ainoa, em uma Cuba com baixas taxas de natalidade, envelhecimento populacional e alta emigração. “Como vou dizer a ela que não há futuro? Porque ela não terá…”, expressa, resignada. A situação atual em Cuba, que já era desafiadora antes do bloqueio de combustíveis, lança uma sombra sobre o nascimento de novas vidas e o futuro do país.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/04/07/o-que-tem-nao-mata-minha-fome-as-gravidas-cubanas-que-sofrem-com-pais-a-beira-do-colapso.ghtml.