Investigação apura demora no socorro de mulher baleada por PM em SP
A ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, que foi baleada durante uma abordagem da Polícia Militar na Zona Leste de São Paulo, morreu em decorrência de hemorragia interna aguda. A causa foi confirmada pelo atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML). Socorristas ouvidos pela TV Globo indicam que a demora no resgate pode ter sido crucial para o agravamento do quadro da vítima, que esperou por mais de 30 minutos por atendimento.
O caso, registrado por câmeras corporais de policiais, levanta sérias questões sobre os protocolos de atendimento e a eficiência do resgate em situações de emergência. A Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros instauraram investigações para apurar as circunstâncias da morte e a conduta dos envolvidos.
Conforme informação divulgada pelo IML e reportada pela TV Globo, a morte de Thawanna Salmázio ocorreu por perda intensa de sangue. Este desfecho trágico acende um alerta sobre os tempos de resposta em serviços de emergência, especialmente quando a agilidade é um fator determinante para a sobrevivência. As investigações buscam esclarecer se a demora no socorro contribuiu diretamente para o óbito, e quais fatores levaram a esse atraso significativo.
Detalhes da Ocorrência e o Disparo
As imagens das câmeras corporais dos policiais mostram que o disparo ocorreu por volta das 2h59 da madrugada de 3 de abril, na Rua Edimundo Audran, em Cidade Tiradentes. A ocorrência iniciou após o retrovisor de uma viatura da PM atingir o braço de Luciano Gonçalves dos Santos, marido de Thawanna, que caminhava com ela pela via estreita.
Após a colisão, o soldado Weden Silva, que dirigia a viatura, desceu do veículo e iniciou uma discussão com o casal. A soldado Yasmin Cursino Ferreira, passageira da viatura, também desceu e se dirigiu a Thawanna. Em meio à troca de ofensas, Thawanna teria dito: “Você não aponta o dedo em mim, não”. Logo em seguida, o barulho de um tiro é ouvido nas gravações.
Weden, que estava na parte de trás da viatura discutindo com Luciano, correu para a frente e questionou Yasmin: “Você atirou nela?”. A soldado respondeu: “Ela deu um tapa na minha cara”, versão contestada por Luciano, que afirmou: “Bateu, não!”. A câmera corporal de Weden não registrou o momento exato do disparo, pois ele estava atrás do veículo.
Demora Inaceitável no Resgate
O pedido de resgate foi feito pelo soldado Weden ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) cerca de 40 segundos após o disparo. No entanto, a ambulância do Corpo de Bombeiros só chegou ao local às 3h29, mais de 30 minutos após o acionamento. Este tempo de resposta ultrapassou em ao menos 10 minutos a meta de 20 minutos estabelecida pela própria corporação.
A apuração do g1 revelou que bases do Corpo de Bombeiros estavam localizadas a poucos minutos do endereço da ocorrência. Uma delas, na Avenida dos Metalúrgicos, fica a cerca de 6 minutos de distância, e outra, na Rua Luís Mateus, a aproximadamente 13 minutos. A distância mínima levanta questionamentos sobre a logística e a priorização do atendimento.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso é investigado pela Polícia Civil e por meio de Inquérito Policial Militar. Os dois policiais envolvidos foram afastados das atividades operacionais. A pasta afirmou que todas as circunstâncias estão sendo analisadas rigorosamente, incluindo as imagens das câmeras corporais, laudos periciais e depoimentos.
Investigações em Andamento e Contexto da PM
O Corpo de Bombeiros também instaurou uma sindicância para apurar a demora no atendimento. A SSP declarou que “todas as circunstâncias são investigadas com prioridade pelo DHPP e por meio de Inquérito Policial Militar, com acompanhamento das corregedorias das instituições envolvidas”.
Dados da própria Polícia Militar indicam que o tempo de resposta esperado para ocorrências desse tipo é menor do que o registrado. Em 2019, um documento apontava que apenas 58% das ocorrências atendidas pelos Bombeiros ficavam dentro do intervalo de tempo esperado, aquém da meta de 60%.
A dinâmica da abordagem e o uso da força pela policial Yasmin Cursino Ferreira, que era novata, estão sob escrutínio. A versão de que Thawanna teria dado um tapa na cara da policial é um ponto central na defesa do disparo, mas a demora no socorro e a falta de atendimento imediato levantam preocupações adicionais.
O Que Dizem as Imagens e os Policiais
As gravações das câmeras corporais revelam a tensão do momento. Após o disparo, enquanto Thawanna gemia de dor, o soldado Weden tentava acalmá-la e reiterava pedidos de resgate ao Copom. Outros policiais chegaram ao local e Weden narrou a sequência dos fatos, descrevendo o embate e o disparo. Em um trecho, ele comenta com Yasmin: “Não era pra ter atirado não, mas… ter atirado porque ela vim pra cima de você, te bater, pegar sua arma”.
A arma de Yasmin foi recolhida por um policial militar de plantão para a Justiça Militar. Os dois policiais envolvidos deixaram o local em outra viatura da PM. A morte de Thawanna Salmázio, uma mulher de 31 anos, ressalta a necessidade de uma revisão urgente nos procedimentos de segurança pública e nos serviços de emergência, garantindo que tragédias como essa sejam evitadas e que a resposta a incidentes críticos seja mais rápida e eficaz.
O Futuro das Investigações
A investigação agora se concentra em determinar a real causa da demora no socorro e se a ação policial foi proporcional à ameaça percebida. A análise das imagens, laudos e depoimentos será crucial para a elucidação completa do caso e para que a justiça seja feita. A sociedade aguarda respostas claras sobre a responsabilidade e as medidas que serão tomadas para prevenir futuras ocorrências semelhantes.