quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Movimento ‘Boa Morte’ Ganha Força: O Que é e Por Que Jovens e Filmes Discutem a Finitude?

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O ‘mercado’ da finitude expande, impulsionado por novas iniciativas e pela urgência geracional em debater a morte.

O que antes era um tabu, hoje ganha contornos de movimento social e até de mercado. O conceito de “boa morte”, mapeado pelo Centro de Longevidade da Universidade Stanford, reflete uma mudança cultural significativa. Nos Estados Unidos, iniciativas como “Death Cafés” e a atuação de “doulas” de fim de vida ganham espaço, enquanto no Brasil, vozes como a da médica Ana Claudia Quintana Arantes buscam abrir o diálogo.

Essa expansão do debate sobre a finitude não é um fenômeno isolado. Ela se manifesta em diversas frentes, desde eventos comunitários até a influência da indústria do entretenimento. A pandemia de Covid-19, em particular, expôs a fragilidade da vida e acelerou a necessidade de discussões mais abertas e honestas sobre o fim.

O “sigilo tirânico” sobre a morte, termo cunhado pelo antropólogo suíço Bernard Cretazz, dá lugar a um desejo crescente de desmistificar o assunto. Conforme aponta um estudo encomendado pela organização End Well, a exposição a conteúdos sobre fim de vida em programas de TV e filmes pode aumentar a disposição das pessoas em discutir o tema. As informações são baseadas em um mapeamento do Centro de Longevidade da Universidade Stanford e em iniciativas como o “Death Café” e as “doulas” de fim de vida, divulgadas em blogs especializados.

O Despertar do Interesse pela ‘Boa Morte’

O movimento da “boa morte” busca transformar a percepção da finitude, saindo de uma visão puramente médica de “problema a ser resolvido” para uma compreensão da morte como parte integrante da vida. O médico de cuidados paliativos BJ Miller, coautor de “A beginner’s guide to the end”, critica a visão iluminista que trata a morte como um fracasso da medicina, defendendo que ela seja encarada como uma fase natural da existência.

Doulas de Fim de Vida: Suporte Emocional e Informativo

As “doulas” de fim de vida oferecem um suporte similar ao das doulas de parto, concentrando-se no amparo emocional, físico e informacional para pacientes terminais e seus familiares. Elas não substituem equipes médicas, mas auxiliam no manejo do medo, da dor e na organização dos preparativos finais, promovendo a autonomia do indivíduo em seus últimos momentos. Nos EUA, o número de doulas de fim de vida saltou de 260 em 2019 para 1.600 em 2024, evidenciando a crescente demanda por esse tipo de assistência.

Eventos e Mídia: Quebrando o Tabu da Morte

Iniciativas como o “Death Café”, criado em 2004, reúnem pessoas em dezenas de países para conversar abertamente sobre o fim e o luto. No Brasil, encontros mensais ocorrem em diversas cidades. Outra proposta é o “Death over dinner”, idealizado por Michael Hebb, que propõe jantares para discutir como as pessoas gostariam de viver seus últimos momentos. Estima-se que mais de 100 mil pessoas já participaram desses eventos globalmente.

A Influência dos Jovens e da Cultura Pop

Curiosamente, os jovens lideram a iniciativa de discutir a morte. Essa geração, marcada pela desconfiança em autoridades e pela exposição precoce à instabilidade social e climática, vê na pandemia um catalisador para a reflexão sobre a finitude. A indústria do entretenimento também acompanha essa tendência, com séries como “The gentle art of swedish death cleaning” e filmes sobre o luto, que, segundo estudos, incentivam o público a debater o fim de vida.

A forma como a morte é encarada mudou drasticamente. Do final do século XIX, quando os óbitos ocorriam majoritariamente em casa, para meados do século XX, com a predominância em hospitais, houve uma crescente alienação. Agora, o pêndulo parece retornar, com um número maior de pessoas optando por morrer em seus lares, buscando maior conforto e familiaridade em seus derradeiros momentos.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2026/04/05/por-que-o-movimento-da-boa-morte-esta-em-alta.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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