MC Poze do Rodo é detido pela Polícia Federal em ação contra lavagem de dinheiro
O funkeiro MC Poze do Rodo foi preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Federal. Ele é um dos alvos da Operação Narcofluxo, deflagrada para desarticular uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão em transações ilegais.
Agentes da PF cumpriram o mandado de prisão na residência do cantor, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ação policial contou com o apoio de cerca de 200 agentes federais.
A operação visa desarticular um esquema que utilizava métodos para ocultar e dissimular valores, incluindo operações financeiras de alto valor, transporte de dinheiro em espécie e transações com criptoativos. Foram expedidos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em endereços de oito estados e no Distrito Federal.
Além de MC Poze, o MC Ryan SP também foi preso pela Polícia Federal em Bertioga, no litoral paulista. A defesa de Poze informou que desconhecia os detalhes do mandado e que se manifestará judicialmente para restabelecer a liberdade do artista.
Terceira prisão na carreira do MC
Esta marca a terceira vez que MC Poze do Rodo é detido. Em maio do ano passado, ele foi preso pela Polícia Civil do Rio de Janeiro em uma investigação por apologia ao crime e envolvimento com o tráfico de drogas. Na ocasião, o cantor também era investigado por suposta lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho (CV).
Naquela ocasião, a polícia alegou que os shows de Poze ocorriam em áreas dominadas pelo CV, com a presença ostensiva de traficantes armados para garantir a segurança do evento. O repertório do artista, segundo a investigação, fazia apologia ao tráfico e ao uso de armas, incitando confrontos entre facções rivais.
A Polícia Civil afirmou que as letras extrapolavam os limites da liberdade de expressão, configurando crimes de apologia e associação para o tráfico. MC Poze foi solto em junho de 2023, após a Justiça conceder habeas corpus.
A primeira prisão de MC Poze ocorreu em setembro de 2019, em flagrante, após um show em Sorriso, Mato Grosso. Na festa, que reunia cerca de 40 menores consumindo álcool e drogas, o MC foi acusado de incitar crimes. Na época, além dele, outros três homens foram presos como organizadores do evento.
Operação Narcofluxo em larga escala
A Operação Narcofluxo, conduzida pela 5ª Vara Federal em Santos (SP), tem como objetivo desmantelar uma complexa rede criminosa. Segundo a PF, os envolvidos utilizavam um sistema sofisticado para movimentar e ocultar valores ilícitos, cujas transações ultrapassam R$ 1,6 bilhão.
Os mandados de prisão e busca e apreensão foram expedidos para diversas localidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. A Justiça também determinou o sequestro de bens dos investigados.
Os suspeitos podem responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Durante as buscas, foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos que auxiliarão no aprofundamento das investigações sobre o modus operandi da organização.
O caso evidencia a complexidade do crime organizado no Brasil, que se utiliza de métodos financeiros modernos, como criptoativos, para disfarçar a origem e o destino de recursos provenientes de atividades ilícitas. A Polícia Federal segue nas investigações para identificar todos os membros da rede e seus financiadores.
A detenção de figuras públicas como MC Poze do Rodo em operações dessa magnitude reforça o combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado no país. A repercussão do caso pode gerar debates sobre a responsabilidade de artistas e influenciadores na disseminação de conteúdos que possam, direta ou indiretamente, associar-se a atividades criminosas.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2026/04/15/pf-cumpre-mandados-no-rio-nesta-quarta-feira.ghtml.