sábado, 30 de maio de 2026
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Leite diz que Caiado “tem todas as condições” para governar o país após 1º encontro

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Leite e Caiado buscam convergências após disputa interna no PSD

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, declarou que Ronaldo Caiado “tem todas as condições para governar o país” após o primeiro encontro entre os dois desde que o goiano foi oficializado como pré-candidato do PSD à Presidência. A reunião ocorreu na tarde desta quinta-feira (9) na Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre.

Apesar dos elogios mútuos, o encontro revelou pontos de divergência entre os correligionários, especialmente em relação à anistia aos presos e condenados pelos atos de 8 de janeiro, tema que Leite abordou em carta entregue a Caiado.

O evento estava inicialmente previsto para ocorrer no Palácio Piratini, sede do governo gaúcho, mas foi adiado devido a um problema técnico que impediu a decolagem do avião de Leite em São Paulo. A conversa privada entre os dois líderes políticos durou cerca de uma hora e meia.

“Temos muito mais pontos de convergência do que diferenças. A política é justamente um instrumento da democracia para que pessoas possam conversar e construir a partir das suas diferenças e convergências um caminho comum”, afirmou Leite após o encontro. Ele destacou que, superada a disputa interna no partido, adota agora um discurso institucional e conciliador.

Caiado, por sua vez, garantiu que os pontos de concordância prevaleceram na conversa. “Recebi a carta do governador Eduardo Leite, conversamos bastante. Posso garantir a vocês que prevaleceram os pontos de concórdia”, disse o presidenciável do PSD.

Carta de Leite aponta divergências sobre anistia

Eduardo Leite entregou a Ronaldo Caiado uma carta com considerações importantes para um projeto nacional. Um dos pontos centrais do documento, e que também gerou divergência pública, é a questão da anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Leite expressou sua preocupação com a possibilidade de um governo iniciar concedendo anistia ampla aos envolvidos. “Não me parece que a pacificação nacional será alcançada com a inauguração de um governo tendo como um de seus primeiros atos a concessão de anistia ampla aos envolvidos nesses episódios”, escreveu o governador gaúcho.

Ele argumentou que uma medida dessa natureza, logo no início, pode interromper o diálogo com uma parcela significativa da população. Leite sugeriu que eventuais excessos podem ser debatidos por vias institucionais mais adequadas, como o aperfeiçoamento da dosimetria das penas, algo que já está em análise no Congresso Nacional.

“É possível buscar justiça com equilíbrio, sem abrir mão da responsabilidade institucional e sem comprometer a construção de um ambiente de diálogo mais amplo”, defendeu Leite na carta, enfatizando a necessidade de uma alternativa que represente equilíbrio, serenidade e responsabilidade para o Brasil.

Convergências e diferenças no projeto nacional

Apesar das divergências pontuais, ambos os políticos ressaltaram a existência de muitos pontos em comum. Leite mencionou a divergência de visão em relação ao PT e a questão da anistia como exemplos de diferenças claras.

Em seu discurso oficial como pré-candidato, Caiado já havia apresentado diretrizes, incluindo a proposta de anistia a Jair Bolsonaro. Anteriormente, ele também comentou sobre a possibilidade de dividir palanques com o PT em alguns estados, como na Bahia, onde o PSD caminhará com ACM Neto.

Apesar da disputa interna que marcou a escolha de Caiado como candidato, com Leite expressando frustração após a decisão inicial do partido, o encontro no Rio Grande do Sul sinaliza um reposicionamento. Leite adotou um discurso institucional, reconhecendo a legitimidade do escolhido e as convergências para um projeto nacional.

Caiado, antes do encontro, elogiou Leite, chamando-o de referência de boa gestão e afirmando que homens como ele precisam estar em sua gestão de Brasil. O presidenciável se colocou à disposição de Leite para a campanha no Rio Grande do Sul e para discutir ideias.

A carta de Leite, em sua íntegra, reforça a ideia de que a política deve ser um espaço de construção de convergências entre diferentes, mesmo sem a necessidade de pensar igual. Ele listou compromissos essenciais para um projeto que se posicione no centro, como respeito às instituições, responsabilidade fiscal, sensibilidade social, integridade e capacidade de diálogo.

O governador gaúcho também ressaltou a importância de gestos concretos que sinalizem abertura, moderação e capacidade de agregar, seja na formação de equipes, no discurso ou na forma de fazer política. A expectativa é que, com clareza e consistência nesses caminhos, muitos possam se sentir representados e engajados em um projeto comum para o avanço do Brasil.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/eleicoes/2026/noticia/2026/04/09/leite-decisao-psd-presidencia-caiado-condicoes-governar-pais.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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