IA Diagnostica Condição Rara em Mulher Após Anos de Erros Médicos
Uma jovem de 23 anos no País de Gales, Phoebe Tesoriere, encontrou o diagnóstico correto para uma condição rara após anos de sofrimento e diagnósticos médicos equivocados, com a ajuda inesperada do chatbot de inteligência artificial ChatGPT. A ferramenta de IA sugeriu a possibilidade de paraplegia espástica hereditária, uma hipótese que, após ser apresentada ao seu clínico geral, foi confirmada por testes genéticos.
A experiência de Tesoriere destaca tanto o potencial da IA como ferramenta de apoio na saúde quanto as dificuldades enfrentadas pelo sistema médico tradicional em identificar doenças complexas e raras. Sua jornada foi marcada por sucessivos diagnósticos de ansiedade, depressão e epilepsia, além de alertas sobre seu uso frequente do pronto atendimento.
Conforme informação divulgada pela fonte principal, Tesoriere passou por uma convulsão severa que a levou a um coma de três dias. Ao se recuperar, a inteligência artificial se tornou sua aliada crucial. Este caso levanta importantes discussões sobre a integração da IA na medicina e a importância de ouvir os pacientes.
Anos de Diagnósticos Incorretos e Sofrimento
Desde a infância, Phoebe Tesoriere enfrentou desafios de saúde que não eram claramente compreendidos. Nascida sem um soquete no quadril, ela passou por cirurgias precoces, levando-a a crer que seus problemas poderiam estar ligados a essa condição. Na infância, também apresentava dificuldades de equilíbrio, sendo testada para dispraxia, que afeta a coordenação motora, mas o resultado foi negativo.
Aos 19 anos, um desmaio e uma convulsão no trabalho foram atribuídos à ansiedade, um diagnóstico que ela contestou, pois se descrevia como uma pessoa alegre e vibrante. Essa atribuição, no entanto, foi adicionada ao seu histórico médico, influenciando futuras avaliações.
Em 2022, ela foi diagnosticada com epilepsia e iniciou um tratamento medicamentoso. Contudo, em dezembro de 2024, seu estado de saúde piorou significativamente. A incapacidade de continuar a medicação para epilepsia resultou em mais convulsões e dificuldades para andar. Foi diagnosticada erroneamente com paralisia de Todd, uma condição neurológica transitória ligada à epilepsia.
A Virada com a Inteligência Artificial
O ponto de inflexão ocorreu em janeiro de 2025, quando uma queda de escada a levou a uma internação hospitalar de três meses com exames inconclusivos. Em julho de 2025, uma convulsão grave a deixou em coma por três dias. Ao acordar, um médico indicou que ela não sofria de epilepsia, mas sim de ansiedade, um diagnóstico que ela já não aceitava.
Foi nesse momento de frustração e desamparo que Tesoriere decidiu inserir seus sintomas no ChatGPT. A ferramenta de IA apresentou uma lista de possíveis condições, entre elas, a paraplegia espástica hereditária. A sugestão gerou hesitação e dúvidas, mas também um fio de esperança.
“Analisei a questão várias vezes com a minha parceira, perguntando ‘vou ao médico?’, ‘não vou?’, ‘o que devo fazer?’, ‘com certeza, não pode ser isso’”, relatou Tesoriere. A ousadia de apresentar a hipótese da IA ao seu clínico geral resultou em aceitação, sendo considerada uma “razão plausível” para seus sintomas. Testes genéticos posteriores confirmaram a sugestão da inteligência artificial, encerrando anos de incerteza.
Desafios e o Futuro da IA na Saúde
A paraplegia espástica hereditária é uma condição muitas vezes subdiagnosticada, segundo o NHS (serviço de saúde pública do Reino Unido). Embora os sintomas possam ser gerenciados com fisioterapia, Tesoriere não consegue mais exercer sua profissão como professora de alunos com necessidades educacionais especiais e utiliza cadeira de rodas. Ela agora busca um novo caminho, cursando mestrado em psicologia, com o desejo de continuar ajudando pessoas.
Um porta-voz do Conselho de Saúde da Universidade de Cardiff e Vale lamentou a experiência de Phoebe e a convidou a discutir o atendimento recebido. A clínica geral Rebeccah Tomlinson reconhece a dificuldade dos médicos em abranger todo o conhecimento médico, especialmente sob as pressões atuais do NHS. Ela ressalta que informações trazidas pelos pacientes, mesmo que de ferramentas como a IA, podem auxiliar na compreensão e direcionar a consulta médica.
Tomlinson enfatiza que ferramentas de IA são um “bom ponto de partida”, mas devem ser seguidas por uma consulta profissional. A pesquisa da Universidade de Oxford, citada na fonte, aponta que os resultados de IA para conselhos de saúde podem ser inconsistentes, misturando informações boas e ruins, o que dificulta a identificação de conselhos confiáveis.
A OpenAI lançou o ChatGPT Health nos EUA, focado em analisar registros médicos, mas a empresa ressalta que não se destina a diagnóstico ou tratamento. Apesar das preocupações com a privacidade de dados, a função visa auxiliar, não substituir, o atendimento médico. O uso da IA na saúde continua a gerar debates, enquanto pacientes como Phoebe Tesoriere buscam respostas e apoio em novas tecnologias.
A história de Phoebe Tesoriere serve como um poderoso lembrete da importância da persistência do paciente e do potencial emergente da inteligência artificial como uma ferramenta complementar no complexo caminho do diagnóstico médico, abrindo portas para discussões sobre como integrar essas tecnologias de forma segura e eficaz no futuro da saúde.