quinta-feira, 16 de abril de 2026
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Guerra no Irã Dispara Ações da Petrobras: O Que Analistas Revelam Sobre o Novo “Choque do Petróleo” e Seus Impactos no Brasil

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Guerra no Irã: Ações da Petrobras Batem Recorde em Meio a Novo “Choque do Petróleo”

O Brasil está vivenciando o que especialistas chamam de um autêntico “choque do petróleo”, o terceiro em 50 anos. A recente valorização expressiva das ações preferenciais da Petrobras (PETR4) na Bolsa de Valores reflete diretamente a alta global da principal commodity da estatal, impulsionada pela guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. Esse cenário, no entanto, não se deve apenas à crise no Oriente Médio.

A opinião de analistas ouvidos pela BBC News Brasil aponta que a corrida pelos papéis da Petrobras também é resultado de investimentos exploratórios retomados e da modernização do parque de refino da empresa. Essa combinação de fatores externos e internos cria um ambiente de oportunidades para a estatal brasileira em meio à instabilidade geopolítica.

Diferentemente de crises passadas, o Brasil entra neste cenário com autossuficiência na produção de petróleo bruto, sendo inclusive exportador. Conforme balanço da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) divulgado em 1º de abril, a produção brasileira de petróleo e gás natural atingiu um recorde em fevereiro, alcançando 5,304 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boe/d). Essa informação foi divulgada pela BBC News Brasil.

Oportunidades e Desafios para a Petrobras e o Brasil

A alta nos preços do petróleo, mesmo com o Brasil autossuficiente em produção, pode significar um aumento nas exportações e receitas tributárias, além de maiores dividendos para o Tesouro Nacional, segundo análise dos economistas István Kecskeméti e Zoltan Horváth, divulgada em 11 de março pela consultoria húngara OTP Global Markets. Contudo, o país ainda enfrenta a necessidade de importar derivados como diesel, gasolina e querosene de aviação.

Diante desse cenário, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, revelou que a empresa estuda a possibilidade de atingir a autossuficiência em diesel em até cinco anos, um objetivo mais ambicioso que o plano anterior de suprir 80% da demanda no período. O anúncio surge em um momento de registros de desabastecimento de diesel em estados como Rio Grande do Sul e Mato Grosso, cruciais para o agronegócio.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com indignação a um leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, pela Petrobras, que elevou os preços em até 100% para as distribuidoras. Lula classificou o ato como “cretinice” e “bandidagem”, ameaçando anular o processo, mas isentou a direção da empresa de responsabilidade. A preocupação com o diesel e fertilizantes para a economia brasileira foi destacada pelo ex-vice-presidente do Banco Mundial, Otaviano Canuto, em artigo publicado em 1º de abril.

Histórico de Flutuações e o Impacto da Guerra

O economista Mahatma Ramos, diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra, explica que o preço das ações da Petrobras é historicamente influenciado por fatores externos e internos. Ele relembra que a PETR4 chegou a R$ 23 em abril de 2021, subiu para R$ 32 em meados de 2022 devido à guerra na Ucrânia, e depois sofreu quedas por incertezas políticas. Desde janeiro de 2023, observa-se uma recuperação contínua.

A escalada do valor das ações prosseguiu até o início de 2024, com a PETR4 estabilizando entre R$ 35 e R$ 42, mas voltou a cair devido à desaceleração chinesa e à guerra comercial. A guerra no Irã, contudo, demonstrou um impacto mais imediato e significativo. No dia 27 de fevereiro, véspera do início dos ataques, a PETR4 fechou em R$ 39,33. Já em 2 de março, após a reabertura dos mercados, as ações dispararam, fechando a R$ 41,13, uma valorização de 4,58%.

Nos 22 dias de pregão seguintes, as ações da Petrobras registraram alta em 15 dias, fechando em 1º de abril a R$ 47,29, um aumento de cerca de 20% em aproximadamente um mês. A correlação com o preço do barril de petróleo Brent é evidente: de US$ 73,25 em 27 de fevereiro, saltou para US$ 107,94 em 2 de abril, atingindo pico de US$ 116,25 em 9 de março, com a ameaça de bloqueio do estreito de Ormuz.

Fatores Estruturais e Conjunturais na Petrobras

Para o professor Maurício Weiss, da UFRGS, o desempenho das ações da Petrobras é uma “síntese de fatores conjunturais e estruturais”. Ele ressalta que a empresa já apresentava um desempenho notável antes da guerra, com um aumento de lucro de quase 200% em 2024 em relação ao ano anterior, superando R$ 110 bilhões, impulsionado pela produção do pré-sal.

O economista Cloviomar Cararine, do Dieese, pondera que a avaliação do valor de uma empresa é influenciada por análises operacional, política e de mercado, não sendo puramente objetiva. A Petrobras, como maior empresa da América Latina, teve seu perfil fortalecido pela exploração do pré-sal, mas também enfrentou o megaescândalo da Operação Lava-Jato, que impactou sua gestão e a política de preços, como o Preço de Paridade de Importação (PPI).

Sob o governo Lula, medidas mitigadoras foram adotadas para lidar com a alta do petróleo, incluindo a redução a zero do PIS/Cofins sobre o diesel, subsídios e a redução de alíquotas de ICMS. Cararine alerta que eventos como a eleição de Donald Trump e a guerra no Irã reforçam a dependência global dos combustíveis fósseis, mas sugere que a Petrobras considere a transição para uma empresa de energia, antecipando a diversificação energética da China e o futuro das políticas climáticas globais.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/04/03/por-que-guerra-no-ira-fez-acoes-da-petrobras-baterem-recorde-e-como-isso-impacta-a-empresa-e-o-brasil.ghtml.

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