Gabriele Leite: A nova joia do violão brasileiro brilha no Rio e conquista o público do Festival Queremos!
A violonista paulista Gabriele Leite, com apenas 28 anos, já se consolidou como um dos maiores talentos do violão brasileiro. Formada em violão clássico e residente em Nova York desde 2021, ela segue os passos de mestres como Garoto, Dilermando Reis, Baden Powell e Yamandu Costa, além de nomes femininos como Rosinha de Valença e Badi Assad.
Em sua recente passagem pelo Brasil em abril de 2026, Gabriele Leite extasiou o público carioca na noite de abertura da sétima edição do Queremos! Festival, no Teatro Carlos Gomes. Sua performance combinou técnica apurada, sentimento profundo e uma simpatia cativante, conquistando uma plateia que, em grande parte, a conhecia apenas por nome.
O show, que serviu como esquenta para a apresentação do cantor Zeca Veloso, apresentou um repertório que navegou com maestria entre o erudito e o popular, com 12 temas de compositores renomados. Gabriele Leite demonstrou não apenas seu virtuosismo, mas também seu compromisso em dar visibilidade à produção autoral feminina no universo historicamente masculino do violão clássico, conforme informação divulgada pelo g1.
O Início Mágico no Teatro Carlos Gomes
Com uma iluminação sutil e a cortina fechada, Gabriele Leite iniciou sua apresentação sentada na beira do palco. Os primeiros acordes foram de “Prelúdio nº 2” e “Ponteio e Toccatina”, composições da pianista paulistana Lina Pires de Campos, ambas presentes no segundo álbum da artista, “Gunüncho” (2025). Este disco, aliás, destaca a produção autoral feminina, um tema caro à violonista.
Homenagens e Repertório Diversificado
O concerto seguiu com homenagens a grandes nomes da música brasileira. Gabriele Leite interpretou com sensibilidade dois temas de Chiquinha Gonzaga: o maxixe “Corta-jaca” (1895) e a modinha “Lua branca” (1912). A violonista também revisitou peças de seu primeiro álbum, “Territórios” (2023).
Entre elas, destacaram-se “Ritmata”, de Edino Krieger, e a icônica “Melodia sentimental” (1958), de Heitor Villa-Lobos. A interpretação de “Melodia sentimental” fez parte de uma suíte que incluiu outros dois temas de Villa-Lobos: “Estudo nº 11” (1953) e “Mazurka-choro”, parte da “Suíte popular brasileira” (1908).
Entre o Lirismo e o Suingue Brasileiro
Gabriele Leite demonstrou uma impressionante versatilidade ao transitar entre o lirismo e o suingue. Ela enfrentou com maestria o intrincado coco “Bate-coxa” (Marco Pereira, 1995), embalou o público com o samba “Lamentos do morro” (Garoto, 1950) e celebrou o legado de Dilermando Reis, interpretando os choros “Dr. Sabe tudo” (1949) e “Se ela perguntar” (1952).
Um Final Triunfal e o Futuro Promissor
Ao final de sua apresentação, Gabriele Leite foi ovacionada de pé pelo público, que, apesar de estar ali para o show de Zeca Veloso, se rendeu ao talento e à entrega da violonista. A performance no Queremos! Festival 2026 não apenas abriu o evento com chave de ouro, mas também reafirmou Gabriele Leite como um talento assombroso e uma figura central no futuro do violão brasileiro, provando que o espaço feminino no violão clássico está cada vez mais consolidado e brilhante.