sábado, 30 de maio de 2026
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Fux: Políticos do Rio no inferno terão “altas autoridades” acompanhando

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Fux defende políticos do Rio e critica colegas do STF

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a atuação de políticos do Rio de Janeiro durante sessão que julgava a definição de como seria escolhido o próximo governador do estado. A declaração ocorreu após ministros apontarem a complexidade da situação política fluminense, marcada pela atuação do crime organizado, incluindo facções, milícias e o jogo do bicho.

A fala de Fux foi uma resposta direta às críticas de alguns colegas sobre o cenário político do Rio. “Há bons políticos no estado do Rio de Janeiro, que representam o estado na Câmara Federal, são excelentes políticos. De sorte que, se esses políticos tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades”, disse Fux.

O ministro também sugeriu que a perplexidade de alguns colegas em relação à política do Rio seria menor se tivessem participado de julgamentos como o Mensalão e a Operação Lava Jato. Essa afirmação sugere que a experiência em casos de corrupção de grande escala poderia fornecer uma perspectiva diferente sobre os desafios enfrentados no estado.

Gilmar Mendes cita “mesada” de bicheiros a deputados

Em meio ao debate sobre a situação política do Rio de Janeiro, o ministro Gilmar Mendes trouxe à tona uma informação preocupante. Ele citou que ouviu de um diretor da Polícia Federal que entre 32 e 34 parlamentares da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) recebiam supostas “mesadas” provenientes do jogo do bicho.

Gilmar Mendes não especificou quando ocorreu essa conversa nem identificou o diretor-geral da PF na época, nem citou nomes de deputados envolvidos. A reportagem do g1 entrou em contato com a Polícia Federal e a Alerj para obter um posicionamento sobre as declarações, mas aguarda retorno.

O ministro expressou sua preocupação com o estado, desabafando: “Deus tenha piedade do Rio de Janeiro. Isso não pode ser causa de decidir, mas é preciso ter isso como motivo”. A declaração de Mendes aponta para a profunda infiltração do crime organizado nas estruturas políticas estaduais, um problema que afeta a governabilidade e a confiança pública.

O impacto do crime organizado na política fluminense

A atuação do crime organizado no Rio de Janeiro é um fator recorrente e complexo. Facções criminosas, milícias e grupos ligados ao jogo do bicho frequentemente são apontados como influenciadores em processos políticos e na administração pública.

Essa influência pode se manifestar de diversas formas, desde o financiamento de campanhas até a intimidação de eleitores e candidatos. A existência de “mesadas” a deputados, como sugerido por Gilmar Mendes, seria uma prova explícita da cooptação de agentes públicos por grupos ilegais.

A situação se agrava pela dificuldade em desvincular a política da ação criminosa. A própria eleição de representantes pode ser comprometida, levantando dúvidas sobre a legitimidade do poder exercido e a capacidade de implementar políticas públicas em benefício da população.

A defesa de Fux e a importância da representatividade

A fala de Luiz Fux, ao defender os “bons políticos” do Rio, busca ressaltar que nem todos os representantes estariam envolvidos em práticas ilícitas. Ao afirmar que “altas autoridades” acompanhariam os políticos no inferno, ele parece aludir a uma possível falha sistêmica ou a responsabilidades compartilhadas em instâncias superiores.

Essa perspectiva pode ser interpretada como um reconhecimento de que os problemas do Rio de Janeiro não são isolados, mas podem envolver falhas em fiscalização, julgamentos ou mesmo na própria estrutura de poder que permite a atuação de grupos criminosos.

A declaração de Fux também pode servir como um alerta para a necessidade de aprofundar a investigação e a punição de envolvidos, garantindo que a justiça alcance todos os níveis de responsabilidade, independentemente da posição ocupada.

A complexidade da atuação judicial e a realidade do Rio

O debate no STF evidencia a complexidade de lidar com a influência do crime organizado na política brasileira, especialmente em estados como o Rio de Janeiro. A atuação do Judiciário é fundamental para garantir a legalidade e a moralidade nos processos eleitorais e na gestão pública.

No entanto, a própria composição e o histórico de decisões do STF são frequentemente objetos de debate público e político. Fux, ao mencionar a Lava Jato e o Mensalão, parece defender a importância de uma atuação firme e experiente do Judiciário em casos de corrupção.

A situação do Rio de Janeiro, com denúncias de “mesadas” e a atuação de facções, exige uma resposta robusta e coordenada. A declaração de Gilmar Mendes, ao expor a suposta ligação entre bicheiros e deputados, joga luz sobre a necessidade de mecanismos mais eficazes de controle e investigação para proteger a democracia e o estado de direito.

O futuro da política fluminense sob escrutínio

As declarações dos ministros do STF colocam em evidência a fragilidade da política no Rio de Janeiro diante do crime organizado. A confiança da população nas instituições e nos seus representantes é um pilar essencial para a estabilidade democrática.

O que está em jogo é a capacidade do estado de oferecer segurança, serviços públicos de qualidade e um ambiente propício ao desenvolvimento, livre da influência de atividades criminosas. A atuação do Judiciário, juntamente com a vigilância da sociedade civil e a imprensa, será crucial para monitorar e combater essas ameaças.

O futuro político do Rio de Janeiro dependerá da força das instituições em isolar e punir a corrupção e a infiltração do crime organizado, garantindo que os representantes eleitos atuem verdadeiramente em prol do interesse público. A investigação sobre as “mesadas” e outras práticas ilícitas terá um papel fundamental nesse processo de saneamento e fortalecimento da democracia fluminense.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/09/politicos-terao-companhia-de-altas-autoridades-se-forem-ao-inferno-diz-fux-gilmar-citou-mesada-de-bicheiros-a-deputados-do-rio.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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