quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Fracasso na Venda do ‘Lixo Atômico’ de Itu: Governo Desiste de Negociar Resíduo Radioativo Após 6 Adiamientos e Ausência de Propostas

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Venda do ‘lixo atômico’ de Itu fracassa após 6 adiamentos e falta de propostas

O governo federal desistiu, por ora, de vender as 3,5 mil toneladas de material radioativo de baixa intensidade estocadas em Itu, São Paulo, conhecidas como o “lixo atômico”. A informação foi confirmada pelas Indústrias Nucleares do Brasil (INB), empresa pública vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Um novo processo de oferta pública está sendo avaliado internamente pela companhia.

O chamamento público para a venda da “Torta 2”, um resíduo do tratamento do minério de monazita composto por urânio, tório e terras-raras, foi adiado por seis vezes ao longo de dois anos e encerrado em 13 de março sem que nenhuma proposta fosse apresentada. A INB informou que não haverá prorrogação do prazo.

Uma tentativa anterior, em 2013, de vender o material para uma empresa chinesa também já havia fracassado. O material começou a ser estocado de forma clandestina em 1975, durante a ditadura militar, em uma área rural de Itu. A situação só foi descoberta em 1979, gerando protestos na cidade. Conforme informação divulgada pelo g1, o ex-prefeito Lázaro Piunti, que governava no início do armazenamento, afirmou que o ato foi uma “agressão à autonomia do município”.

Histórico de adiamentos e tentativas de venda frustradas

O processo de venda da Torta II, que se refere ao “lixo atômico” de Itu, enfrentou um longo caminho de adiamentos. A primeira prorrogação ocorreu em 30 de setembro de 2024, com o vencimento adiado para 30 de novembro do mesmo ano. Em seguida, em novembro de 2024, uma nova prorrogação estendeu o prazo para 28 de janeiro de 2025.

Sem interessados, a INB realizou mais prorrogações, levando o prazo para 29 de abril de 2025, depois para julho de 2025, e posteriormente para 18 de dezembro de 2025. A sexta e última prorrogação venceu em 13 de março de 2026, ainda sem sucesso na venda.

Em 2013, a INB tentou vender o material e firmou um contrato com uma empresa chinesa. Uma audiência pública em Itu debateu a segurança do material e a transferência dos resíduos para a China, que teria adquirido todo o material das três unidades por R$ 65 milhões. No entanto, a negociação não se concretizou pois a empresa chinesa não obteve as licenças ambientais necessárias para receber o material.

O que é a Torta II e os riscos associados

Na área em Itu estão armazenadas 3,5 mil toneladas de Torta 2. Este é um resíduo radioativo proveniente do tratamento químico do minério de monazita, que é composto por urânio, tório e terras-raras. O material começou a ser estocado de forma clandestina entre 1975 e 1981 no Sítio São Bento, localizado no bairro rural de Botuxim, a cerca de 30 quilômetros do centro de Itu. O local, conhecido pelos moradores como “lixo atômico”, está estocado há pelo menos 50 anos.

Segundo a INB, o material é considerado de baixa radioatividade e sua estocagem segue normas de segurança. Os resíduos em Itu estão acondicionados em sete silos, construídos em concreto com paredes de 20 centímetros de espessura e superfícies internas impermeabilizadas. Esses silos ocupam aproximadamente 800 m² em uma área isolada de 20 mil m² dentro de um sítio com área total de cerca de 300 mil m².

A monazita, mineral de onde se origina a Torta 2, é encontrada ao longo da costa brasileira e seus produtos eram utilizados na fabricação de catalisadores, vidros especiais e ligas metálicas, como o cristal de neodímio usado em lasers para cirurgias oftálmicas. Atualmente, o local passa por um processo de regularização através de licenciamento corretivo, conforme a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen).

Segurança e preocupações de especialistas

Tanto a INB quanto a Cnen garantem que o local é seguro e monitorado constantemente. Análises de água e solo realizadas não apontam contaminação nos mananciais próximos. A Cnen exerce o controle regulatório sobre a Unidade de Estocagem de Botuxim para assegurar a segurança nuclear e a proteção radiológica dos trabalhadores, do público e do meio ambiente.

Contudo, especialistas alertam para os riscos. O físico Paulo Massoni, do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), adverte que a blindagem de concreto é antiga e que um eventual vazamento poderia contaminar o meio ambiente. “Com relação à radiação, se a atividade for elevada, o tempo exposto a ela poderá causar quebra da molécula de DNA humana ou mutação, levando a vários tipos de câncer”, explica Massoni.

Com o fracasso da venda, o futuro do “lixo atômico” de Itu permanece incerto, e a população local continua a conviver com o depósito radioativo em seu entorno, aguardando uma solução definitiva para a questão.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/04/08/venda-do-lixo-atomico-de-itu-fracassa-apos-6-adiamentos-e-falta-de-propostas.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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