quarta-feira, 28 de outubro de 2026
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Feminicídio, disputa por filho e PM preso: A chocante investigação sobre o sumiço da família Aguiar

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Polícia aponta PM preso como principal suspeito no desaparecimento e morte de ex-esposa e sogros

O caso do desaparecimento da família Aguiar, em Cachoeirinha, completa 70 dias neste sábado (4). Silvana Germann de Aguiar, 48 anos, sumiu em 24 de janeiro, seguida por seus pais, Isail Vieira de Aguiar, 69, e Dalmira Germann de Aguiar, 70, no dia seguinte. A investigação da Polícia Civil está em fase final e aponta o policial militar Cristiano Domingues Francisco, ex-marido de Silvana, como principal suspeito. Ele está preso desde 10 de fevereiro e a polícia busca a conversão da prisão temporária em preventiva.

As chances de encontrar a família com vida são consideradas remotas pela polícia, que trata o caso como feminicídio de Silvana e duplo homicídio dos idosos. Buscas foram realizadas na região, mas os corpos não foram localizados. O inquérito policial, conforme informações divulgadas pelo g1, deve ser concluído ainda em abril, com Cristiano Domingues Francisco sendo ouvido novamente na próxima semana.

A motivação para o crime, segundo os investigadores, estaria ligada a desavenças pela criação do filho do casal. O menino estava na casa do pai quando a mãe desapareceu e, desde a prisão de Cristiano, está sob os cuidados da avó paterna. Duas semanas antes do sumiço, Silvana havia procurado o Conselho Tutelar para relatar que o ex-marido não seguia suas orientações quanto às restrições alimentares do filho.

Desavenças familiares e disputa pela guarda do filho como pano de fundo

A investigação policial sugere que a disputa pela guarda e criação do filho do casal foi um dos principais gatilhos para o crime. Silvana Aguiar havia procurado o Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho. Esse conflito pode ter escalado para a tragédia que culminou no desaparecimento da família.

Suspeitas de fraude processual e falso testemunho para atrapalhar a investigação

No final de março, a investigação ganhou novos contornos com a identificação de três pessoas ligadas ao policial militar como suspeitas de atrapalhar o andamento do caso. Uma parente de Cristiano, com conhecimento em TI, é investigada por apagar dados em dispositivos eletrônicos e na nuvem, configurando possível fraude processual.

Um outro familiar do PM é suspeito de ter deletado imagens de câmeras de segurança da residência da mãe de Cristiano, também sob suspeita de fraude processual. Além disso, uma terceira pessoa próxima ao policial está sendo investigada por falso testemunho, supostamente mentindo em depoimento a pedido de uma familiar para criar falsos álibis para o principal suspeito.

Bens da família Aguiar e possível motivação financeira

Uma outra linha de investigação aponta para uma possível motivação financeira. De acordo com o delegado responsável pelo caso, a família Aguiar possuía bens significativos, incluindo imóveis e casas de aluguel. Em caso de morte de Silvana e seus pais, esses bens, após o processo de sucessão, viriam a se tornar propriedade do neto. Essa possibilidade financeira pode ter sido um fator determinante para os crimes.

Linha do tempo do caso Aguiar revela detalhes cruciais da investigação

O g1 compilou uma linha do tempo detalhada dos eventos, que revela informações importantes. Em 2 de janeiro, Silvana já buscava contato com o Conselho Tutelar, e em 9 de janeiro, compareceu ao órgão para registrar as desavenças com o ex-marido sobre o filho. No dia do desaparecimento de Silvana, 24 de janeiro, uma postagem em suas redes sociais sobre um suposto acidente em Gramado foi feita para despistar as investigações, conforme apontou a polícia, que confirmou que o acidente nunca ocorreu.

Imagens de câmeras de segurança registraram movimentação atípica na residência de Silvana na noite de 24 de janeiro, com a entrada e saída de veículos. No dia seguinte, 25 de janeiro, os pais de Silvana, alertados por vizinhos, saíram para procurá-la e tentaram registrar o desaparecimento na delegacia, que estava fechada. Segundo a polícia, os idosos teriam ido à residência do ex-genro, Cristiano, que afirmou que auxiliaria na busca mais tarde. Após a visita, os pais de Silvana teriam retornado para casa e, horas depois, foram vistos entrando em um carro não identificado, desaparecendo desde então.

O caso ganhou contornos criminais em 4 de fevereiro, quando a polícia descartou a hipótese de sequestro. Vestígios de sangue foram encontrados na casa de Silvana em 5 de fevereiro, e seu celular foi localizado em 7 de fevereiro. Em 10 de fevereiro, Cristiano Domingues Francisco foi preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A defesa de Cristiano, representada pelo advogado Jeverson Barcellos, aguarda a conclusão do inquérito para se manifestar.

A pericia do celular de Silvana confirmou que o aparelho nunca esteve em Gramado, desmentindo a postagem feita em suas redes sociais. Em 25 de fevereiro, Silvana foi considerada a 20ª vítima de feminicídio no Rio Grande do Sul em 2026, e buscas pelos corpos foram intensificadas em áreas de mata e rios próximos a Cachoeirinha.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/04/04/feminicidio-disputa-pelo-filho-e-suspeitos-de-atrapalhar-investigacoes-ligados-a-pm-preso-o-que-a-policia-descobriu-sobre-a-familia-aguiar.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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