quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Falar sobre a morte não poupa sofrimento, mas o organiza: médica Ana Cláudia Quintana Arantes explica como a conversa transforma o fim da vida

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Falar sobre a morte não poupa sofrimento, mas o organiza: médica Ana Cláudia Quintana Arantes explica como a conversa transforma o fim da vida

A morte, muitas vezes evitada e temida, é uma dimensão natural e negligenciada da vida. A médica paliativista e escritora Ana Cláudia Quintana Arantes, autora do livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, defende que abordar o tema abertamente não elimina o sofrimento, mas o **organiza**, permitindo que pacientes e famílias lidem com a finitude de forma mais consciente e digna.

Conforme informação divulgada pelo g1, a especialista critica a cultura que encara a morte como um fracasso da medicina e da vida. Ela ressalta que, no Brasil, os cuidados paliativos ainda são oferecidos de forma tardia e desigual, apesar de o país ter avançado na política pública.

A ausência de diálogo sobre o fim da vida leva a decisões tomadas às pressas, sofrimento prolongado e despedidas marcadas por dúvidas. A médica argumenta que a maioria das pessoas não morre de forma súbita, mas sim doente, necessitando de cuidado contínuo. É nesse contexto que os cuidados paliativos se tornam cruciais, desmistificando a ideia equivocada de que significam desistência.

O que significa uma “boa morte”?

Para Ana Cláudia Quintana Arantes, uma “boa morte” não é necessariamente uma morte bonita ou fácil, mas sim uma **experiência de cuidado que respeita o que a pessoa considera digno**. Isso pode envolver estar em casa, no hospital, ou ter ou não determinados procedimentos médicos, desde que essas vontades tenham sido conversadas previamente. A chave está em reconhecer o que se quer e o que não se quer.

A médica enfatiza que a conversa sobre a morte é fundamental dentro das famílias. Evitar o assunto com frases como “vai dar tudo certo” pode levar a um sofrimento maior no futuro, quando a família precisar tomar decisões sem saber as reais vontades do ente querido. **Falar sobre a morte organiza o sofrimento**, permitindo que memórias positivas sejam construídas, mesmo em momentos difíceis.

A medicina e o limite da vida

A medicina, treinada para salvar vidas, muitas vezes lida com a finitude com uma “ilusão de poder”, como descreve a Dra. Arantes. Essa ingenuidade leva alguns profissionais a encararem a morte como um fracasso, quando, na verdade, a história da vida tem um fim, e o que importa é **como esse final é cuidado**. A ausência de conversa sobre o tema impede que os pacientes aprendam a priorizar o que realmente importa em seu tempo restante.

Embora o ensino de cuidados paliativos tenha se tornado obrigatório nas faculdades de medicina em 2022, a formação ainda é considerada insuficiente. Apenas alguns períodos dedicados ao tema não preparam adequadamente os profissionais para lidar com a complexidade e a sensibilidade necessárias.

Cuidados paliativos: um direito e uma necessidade

Os cuidados paliativos são definidos como **proteção contra o sofrimento causado por doenças graves e seus tratamentos**. Eles atuam no controle da dor, no bem-estar emocional, no suporte à família e no contexto social e espiritual, sem antecipar nem prolongar a morte. A confusão com a ideia de desistência surge, em parte, da crença de alguns médicos em evitar a morte a qualquer custo, o que nem sempre é possível ou desejável.

Quando os cuidados paliativos são iniciados precocemente, a pessoa **vive melhor**, ganhando tempo de qualidade. A desigualdade social também interfere significativamente na experiência de morrer, com muitas pessoas enfrentando o abandono e a falta de acesso a qualquer tipo de cuidado, dependendo de sua condição socioeconômica e local de residência.

A Dra. Arantes conclui que o sentido da vida reside em viver com coerência. Reconhecer a finitude, paradoxalmente, pode ser libertador, pois ajuda a dar menos peso a questões que não merecem tanto sofrimento e permite que as decisões sobre o fim da vida sejam centradas no paciente, com o apoio da família e o conhecimento técnico do médico.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/03/29/falar-sobre-a-morte-nao-poupa-sofrimento-organiza-o-sofrimento-a-entrevista-da-medica-paliativista-e-escritora-ana-claudia-quintana-arantes-ao-g1.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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