quinta-feira, 30 de julho de 2026
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DF: Quase 600 na fila, transplante de medula na rede pública é um sonho distante, pacientes viajam e enfrentam custos

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No Distrito Federal, a esperança de realizar um transplante de medula óssea pelo Sistema Único de Saúde (SUS) esbarra na ausência de unidades públicas credenciadas, deixando centenas de pacientes em uma corrida contra o tempo e as despesas.

Com uma fila de espera que ultrapassa os 600 pacientes, o Distrito Federal se encontra em uma situação crítica no que diz respeito à realização de transplantes de medula óssea na rede pública. A falta de hospitais credenciados para o procedimento alogênico, que utiliza células de doadores, obriga os pacientes a buscarem tratamento em outros estados, gerando custos adicionais e afastando-os de suas redes de apoio.

Essa realidade afeta diretamente a vida de aproximadamente 587 pessoas que, segundo dados do Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), não conseguirão realizar o transplante na capital pelo SUS. O Hospital da Criança de Brasília José Alencar é a única unidade credenciada, mas atende apenas pacientes com até 18 anos, totalizando 80 cadastros que se enquadram nesse critério.

A Secretaria de Saúde do DF informa que, após a definição do centro transplantador, os pacientes são encaminhados para atendimento por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), conforme os fluxos assistenciais vigentes no Sistema Nacional de Transplantes. No entanto, a pasta não esclareceu os motivos pelos quais o DF, há anos, não conta com hospitais públicos habilitados para essa modalidade de transplante. Conforme informação divulgada pelo g1, o Ministério da Saúde afirma que não há restrições federais e que a organização da oferta é responsabilidade do gestor local.

O transplante de medula óssea alogênico: Um procedimento complexo e inacessível no DF público

O transplante de medula óssea do tipo alogênico é aquele em que as células-tronco provêm de outra pessoa, seja um parente compatível ou um doador cadastrado no Redome. Este procedimento, fundamental para o tratamento de diversas doenças hematológicas e oncológicas, exige uma infraestrutura especializada e equipes altamente qualificadas, algo que, atualmente, não está disponível na rede pública do Distrito Federal para a maioria dos pacientes.

A chefe da hematologia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), Flávia Dias Xavier, explica que a capital realiza apenas o transplante de medula óssea autólogo, onde o próprio paciente doa suas células. O transplante alogênico, por outro lado, demanda uma estrutura mais robusta, com unidades de internação específicas e não em quartos comuns. Além disso, o pós-operatório envolve quimioterapias de alta complexidade, que são mais onerosas e requerem protocolos adicionais de autorização pelo SUS.

Rede privada oferece opção, mas a maioria depende do SUS e do TFD

Para aqueles que possuem condições financeiras ou plano de saúde, o Distrito Federal oferece opções de transplante de medula óssea na rede privada. Hospitais como o Santa Luzia, Sírio-Libanês, Instituto de Cardiologia e Transplantes do Distrito Federal (ICTDF), Hospital DF Star e Hospital Brasília disponibilizam o procedimento. Contudo, essa alternativa está fora do alcance da grande maioria da população que depende exclusivamente do SUS.

Os pacientes que necessitam do transplante pelo SUS e não se enquadram no critério etário do Hospital da Criança de Brasília são obrigados a viajar para outras unidades da federação. O governo do DF oferece uma ajuda de custo, conhecida como Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mas, segundo relatos de pacientes, esse valor muitas vezes não é suficiente para cobrir sequer metade das despesas com hospedagem, alimentação e transporte, agravando ainda mais a situação de vulnerabilidade.

A jornada de Rita de Cássia: um retrato da realidade dos pacientes do DF

A história de Rita de Cássia, de 54 anos, diagnosticada com leucemia em 2022, ilustra a dura realidade enfrentada por muitos pacientes no DF. Após passar por quimioterapias na capital, ela foi informada sobre a necessidade de um transplante de medula óssea. Dois anos após o diagnóstico, com a identificação de um doador compatível pelo Redome, o transplante precisou ser realizado no hospital Amaral Carvalho, em Jaú, no interior de São Paulo, longe de sua cidade e com os desafios financeiros inerentes à viagem e ao tratamento prolongado.

O Ministério da Saúde, ao ser questionado pelo g1, reiterou que a habilitação dos serviços de transplante segue critérios técnicos e que a organização da oferta é responsabilidade dos gestores locais. O DF, embora conste na lista do Ministério como uma “unidade da Federação credenciada”, na prática, não oferece a modalidade de transplante alogênico pelo SUS, deixando um vácuo assistencial para centenas de brasilienses que lutam contra doenças graves e buscam uma nova chance de vida.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/04/06/com-quase-600-na-fila-df-nao-faz-transplante-de-medula-na-rede-publica-e-obriga-pacientes-a-viajar.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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