Conflito no Oriente Médio impacta o agro brasileiro, mas exportações de carne se mantêm em alta
A escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio tem gerado dificuldades para a navegação e, consequentemente, afetado as exportações brasileiras de carne bovina e de frango para mercados cruciais na região. Países como Emirados Árabes Unidos, Egito e Arábia Saudita registraram quedas expressivas no volume de importação de carne bovina brasileira em março, conforme dados divulgados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Apesar do cenário desafiador no Oriente Médio, o setor de exportação de carnes do Brasil não apenas compensou as perdas, mas também fechou o mês de março com resultados positivos. As vendas totais de carne bovina apresentaram alta de 9,1% em volume, totalizando 270,8 mil toneladas, e um crescimento de 26% em receita, alcançando US$ 1,48 bilhão em comparação com o mesmo período do ano anterior. Esse desempenho robusto foi impulsionado principalmente pela forte demanda da China, Estados Unidos, Chile, União Europeia e Rússia.
No caso da carne de frango, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) também aponta uma retração nas vendas para países do Oriente Médio, afetados pela instabilidade. A Arábia Saudita, principal destino na região, importou 5,3% menos frango em março deste ano. Contudo, o setor de proteína animal demonstrou sua capacidade de adaptação, registrando um aumento geral de 6% nas exportações em março, com um total de 504,3 mil toneladas embarcadas.
Quedas acentuadas em mercados-chave do Oriente Médio
Os Emirados Árabes Unidos, tradicionalmente o terceiro maior comprador de carne bovina brasileira no Oriente Médio, viram suas importações despencarem 49% em volume em março. O Egito, primeiro colocado, e a Arábia Saudita, segundo, também sentiram o impacto, com retrações de 16% e 7,6%, respectivamente. Outros destinos importantes na região, como Catar, Jordânia, Iraque e Kuwait, registraram quedas ainda mais expressivas, variando de 34,4% a 55,3%.
Setor de carnes demonstra resiliência e busca rotas alternativas
Diante do fechamento de rotas marítimas e do aumento dos custos logísticos, o setor de proteína animal tem se mostrado ágil na busca por soluções. O presidente da ABPA, Ricardo Santin, destacou que o fluxo de exportações continua acessando a região por meio de **rotas alternativas**, garantindo o abastecimento. Mais de 100 mil toneladas foram enviadas para mercados do Oriente Médio em março, com mais de 45 mil toneladas destinadas aos países diretamente impactados pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
China e EUA lideram o crescimento das exportações brasileiras
A força da demanda internacional, especialmente de mercados asiáticos, tem sido fundamental para o bom desempenho das exportações brasileiras. A China, em particular, liderou o aumento em volume, com um crescimento de 41,8% em março, seguida pelos Estados Unidos, com alta de 13,4%. O Chile, a União Europeia e a Rússia também contribuíram positivamente para os resultados gerais do setor, evidenciando a diversificação e a pujança do agronegócio brasileiro no cenário global.
Ações governamentais e setor privado garantem o fluxo de exportações
O Ministério da Agricultura, em conjunto com o setor privado, tem atuado de forma efetiva na **facilitação das exportações**, assegurando a oferta de alimentos para as regiões afetadas pela instabilidade no Oriente Médio. A estratégia de diversificação de mercados e a adaptação logística são cruciais para manter a competitividade e a segurança alimentar, demonstrando a capacidade de superação do agronegócio brasileiro frente a desafios geopolíticos e econômicos.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2026/04/08/conflito-no-oriente-medio-derruba-exportacoes-de-carne-bovina-e-de-frango-para-a-regiao.ghtml.