sexta-feira, 31 de julho de 2026
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Crise Histórica em SC: Mudanças Climáticas Devastam Produção de Ostras, Maior Produtor do Brasil Ameaça Perder 90% da Safra

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Crise sem Precedentes na Produção de Ostras em Santa Catarina: Clima Ameaça o Futuro do Setor

Santa Catarina, responsável por mais de 91% da produção nacional de ostras, enfrenta uma crise histórica que pode dizimar 90% da safra desta temporada. As mudanças climáticas, com o aumento da temperatura da água do mar, estão causando uma mortalidade em massa desses moluscos, levando produtores a prejuízos milionários e à beira do desespero.

A situação é alarmante, especialmente em regiões produtoras como o sul da Ilha de Santa Catarina. Produtores tradicionais, que dedicam décadas de suas vidas à maricultura, relatam a perda quase total de suas colheitas e a dificuldade em manter suas atividades e colaboradores. O impacto se estende aos consumidores, com a redução drástica da oferta em um período de alta demanda.

Especialistas apontam o aquecimento das águas como o principal vilão, mas outros fatores ambientais também contribuem para a vulnerabilidade das ostras. Diante do cenário desolador, o setor busca alternativas e medidas emergenciais, mas as soluções apresentadas até o momento parecem insuficientes para a magnitude do problema, conforme informações divulgadas pelo g1.

Onda de Calor nas Águas Prejudica Produção de Ostras em SC

O aumento da temperatura da água do mar acima do normal é apontado como o principal fator por trás da devastadora perda de ostras em Santa Catarina. Pesquisadores da Epagri monitoram o fenômeno e registraram picos de calor expressivos nos meses de janeiro e fevereiro, períodos cruciais para o desenvolvimento dos moluscos. Essa anomalia térmica, aliada a outros fatores decorrentes das mudanças ambientais, tem levado a uma mortalidade em massa.

Produtores Enfrentam Prejuízos Milionários e Reduzem Equipes

Paulo Antônio Constantino, produtor de ostras há 30 anos em Florianópolis, amarga um prejuízo estimado em R$ 1,5 milhão. Pela primeira vez em sua carreira, ele não tem produto para comercializar. Para tentar mitigar as perdas, ele recorreu à venda de ostras de menor qualidade, chamadas de “refugo”, que não estão prontas para o consumo padrão. A crise o forçou a realizar demissões e a reduzir o funcionamento de sua fazenda para meio período, focando apenas em atividades de manutenção.

A situação se repete em outras propriedades, como relata Vinicius, presidente de uma associação de maricultores. Ele conta que grande parte da produção é descartada ainda no manejo. “Trabalhamos com 20 colaboradores, cinco, infelizmente, a gente já teve que desligar, estamos com 15. Desses 15, três estão de férias, não sabemos no retorno das férias deles o que nós vamos realocar, se o cenário vai mudar”, lamenta.

Alta Demanda e Baixa Oferta: Impacto no Consumidor

A crise na produção de ostras coincide com um período de alta demanda, como a Semana Santa, quando o consumo desses moluscos tradicionalmente aumenta. A drástica queda na oferta resulta em menor disponibilidade para os consumidores e já começa a ser sentida no mercado. A escassez pode levar a um aumento nos preços, caso haja alguma oferta remanescente.

Busca por Alternativas e Apoio Insuficiente

Diante do cenário desolador, o setor maricultor de Santa Catarina discute alternativas para minimizar os impactos. Uma das possibilidades em pauta é o investimento na comercialização de ostras processadas, como carne cozida e inspecionada, em vez da venda do produto in natura. A Federação de Empresas de Aquicultura defende a implementação de medidas emergenciais e políticas de longo prazo, incluindo maior acesso a crédito.

O governo do estado anunciou uma linha de crédito com juros zero, limitada a R$ 50 mil por produtor. No entanto, representantes do setor consideram o valor insuficiente diante dos prejuízos acumulados. “Nossos investimentos são muito altos com o complemento da folha de pagamento, são muitos funcionários que dependem disso, mas apoio com volumes maiores, né? Que a gente consiga ter um volume maior de empréstimo, né? Para a gente conseguir. Não é um sujeito, a gente realmente vai pagar por isso, só que um valor muito pequeno, né? É irrisório esse valor”, afirma Paulo Constantino.

Fonte consultada: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/04/06/mudancas-climaticas-afetam-producao-de-ostras-em-sc-e-maior-produtor-do-brasil-deve-perder-90percent-da-safra-da-temporada.ghtml.

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Marcela Costa

Formação e credenciais Bacharelado em Comunicação Social — Jornalismo, Universidade de São Paulo (USP), 2011 Pós-graduação em Jornalismo de Dados, ESPM-SP, 2015 Certificação IFCN (International Fact-Checking Network), 2018 Membra da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

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