Chef italiano, foragido da Interpol e com condenações na Itália, é detido em Fortaleza; valor desviado ultrapassa 96 mil euros
Um chef de cozinha italiano, identificado como Fabio Mattiuzzo, foi preso em Fortaleza no dia 13 de março. O profissional, que atuava em um restaurante de culinária francesa na área nobre da capital cearense, era procurado pela Interpol desde junho de 2025 e é acusado de desviar mais de 96 mil euros em seu país de origem.
A prisão foi determinada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de viabilizar a extradição do chef para a Itália, onde ele possui duas condenações que somam mais de cinco anos de prisão. Os crimes pelos quais Mattiuzzo é acusado configuram falência fraudulenta agravada.
Conforme o inquérito da Polícia Federal, ao qual o g1 teve acesso, Fabio Mattiuzzo era diretor de duas empresas na Itália que entraram em processo de falência após sofrerem significativos prejuízos entre os anos de 2009 e 2011. A PF aponta que o chef teria desviado dinheiro dessas companhias para cobrir despesas pessoais.
Detalhes das Acusações e Condenações na Itália
A decisão do ministro Flávio Dino detalha os fatos atribuídos a Mattiuzzo. Entre novembro de 2009 e junho de 2010, o chef é acusado de desviar 96.118,51 euros da empresa Armani S.r.l. para fins pessoais, além de ocultar e destruir registros contábeis relevantes. Por esses atos, ele foi investigado a partir de 2018 e condenado inicialmente em outubro de 2020, com a pena definitiva de 3 anos de prisão transitada em julgado em janeiro de 2022.
Em outra frente, entre outubro de 2010 e setembro de 2011, Mattiuzzo teria colaborado com Valerio Gianluca Locatelli para desviar bens de capital, mobiliário e um caminhão da empresa S.A.P. S.r.l., também para uso pessoal e com ocultação de documentos. Essa investigação começou em 2010 e resultou em uma condenação de 2 anos e 6 meses de prisão, com trânsito em julgado em setembro de 2022.
Mandado de Prisão e Processo de Extradição
A decisão do STF, publicada em 9 de março, ressalta que os crimes não estão prescritos e equivalem no Brasil aos delitos de apropriação indébita e fraude a credores. No dia 16 de março, a Polícia Federal informou ao STF ter cumprido o mandado de prisão preventiva e solicitou o início das tratativas para a extradição do italiano.
O chef detido permanecerá à disposição do STF, que é o órgão responsável por conduzir o processo de extradição. A PF comunicou ao tribunal a efetivação da prisão e aguarda as providências diplomáticas para formalizar o pedido de extradição junto ao Estado requerente, conforme a Lei de Extradição (Lei nº 13.445/2017).
Fonte consultada: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/04/05/chef-de-restaurante-preso-em-fortaleza-era-procurado-pela-interpol-e-desviou-mais-de-96-mil-euros-diz-pf.ghtml.