PF investiga esquema de corrupção na Fundação Celos, que administrava a previdência complementar de servidores da Celesc, apontando para investimentos irrecuperáveis em fundos de alto risco.
A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (8) a operação “Sem Lastro” para desarticular um esquema de corrupção na Fundação Celos, entidade responsável pela previdência complementar dos funcionários da Celesc, concessionária de energia elétrica de Santa Catarina. A investigação aponta que valores destinados a aposentadorias de servidores foram aplicados em fundos de alto risco e baixa qualidade, classificados como irrecuperáveis.
O principal suspeito é um ex-diretor financeiro da Celos, que teria sido o responsável por direcionar cerca de R$ 365 milhões para investimentos fraudulentos. Segundo a PF, o dinheiro era desviado através de manobras financeiras complexas, envolvendo empresas “laranja” e a compra de 36 imóveis em nome de familiares do ex-gestor, configurando crime de lavagem de dinheiro.
A fundação Celos, em nota, esclareceu que a investigação da PF foca em decisões de gestão tomadas entre 2004 e 2011 por ex-gestores e que a atual diretoria e conselhos não são alvos da suspeita. A Celesc, por sua vez, é uma sociedade de economia mista controlada pelo governo de Santa Catarina com participação de capital privado.
Investigação aponta para lavagem de dinheiro e crescimento patrimonial incompatível
Conforme detalhado pelo delegado Christian Barth, uma empresa em nome de familiares do ex-diretor financeiro adquiriu 36 imóveis sem lastro financeiro, indicando uma clara tipologia de crime de lavagem de dinheiro. O valor total das fraudes chega a R$ 365 milhões, com bens sequestrados e valores bloqueados que podem atingir essa quantia.
A Polícia Federal explicou que os fundos de investimento aplicavam dinheiro em ativos que, no papel, geravam prejuízo, mas que na prática serviam como rota para desviar recursos. Após a aplicação financeira, o dinheiro passava por diversas operações para dificultar o rastreamento, retornando de forma oculta para quem decidiu investir.
O rápido e incompatível crescimento patrimonial do responsável pelas aplicações, evidenciado pela compra de imóveis em nome de empresas usadas para ocultar bens, é um dos principais indícios de fraude e pagamento de vantagens indevidas aos gestores envolvidos no esquema.
Celos colabora com a investigação e garante que carteira atual não foi afetada
Em comunicado oficial, a Fundação Celos reiterou que as investigações se referem a operações realizadas há mais de 15 anos e não possuem qualquer relação com a carteira de investimentos atualmente administrada pela entidade. A fundação informou ainda que tem colaborado ativamente com as autoridades, incluindo a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) e a Polícia Federal.
A operação “Sem Lastro” visa atingir diretamente o núcleo patrimonial do esquema, buscando interromper o fluxo financeiro ilícito e preservar recursos para o eventual ressarcimento dos prejuízos causados aos servidores da Celesc. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Florianópolis, com o sequestro de mais de 30 imóveis.
Entenda o que é previdência complementar e o papel da Celos
A previdência complementar, modelo facultativo e desvinculado do INSS, permite que os trabalhadores acumulem recursos extras para complementar a renda na aposentadoria. A Fundação Celos administra esse tipo de plano para os servidores da Celesc, uma empresa de economia mista com controle estatal e capital privado.
A investigação da PF, ao focar em decisões passadas, busca esclarecer como os valores destinados à aposentadoria dos servidores foram desviados e aplicados em investimentos de alto risco, resultando em perdas significativas e potencial dano ao futuro financeiro de muitos trabalhadores.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/2026/04/08/irrecuperaveis-valores-aposentadorias-servidores-celesc-operacao-pf.ghtml.