Ribeirão Preto: Cinco Casas de Repouso Fecham as Portas em Meio a Denúncias de Maus-Tratos e Condições Precárias
A cidade de Ribeirão Preto, em São Paulo, tem sido palco de uma série de interdições de casas de repouso nos últimos cinco meses. As razões variam desde a ausência de licença sanitária para o funcionamento até a constatação de condições desumanas e atendimento negligente aos idosos residentes.
Casos alarmantes vieram à tona, expondo a fragilidade da fiscalização e a vulnerabilidade dos idosos em instituições que deveriam ser sinônimo de cuidado e segurança. A situação gerou forte atuação do Ministério Público e da Vigilância Sanitária.
As interdições revelam um cenário preocupante, onde a falta de estrutura e o descaso com a saúde dos idosos se tornaram a regra em diversos estabelecimentos. As autoridades buscam agora responsabilizar os envolvidos e garantir que tais abusos não se repitam. Conforme informações divulgadas, nos últimos cinco meses, pelo menos cinco casas de repouso foram interditadas em Ribeirão Preto (SP) por irregularidades e falta de condições para funcionamento.
Casos Graves e Mortes Chocam a População
Um dos episódios mais chocantes envolveu o resgate de uma idosa de 86 anos com miíase oral, popularmente conhecida como bicheira, durante uma ação de interdição no bairro Monte Alegre. Infelizmente, a mulher faleceu quatro dias após ser retirada do local, evidenciando a gravidade do abandono e da falta de cuidados básicos.
Em outra situação alarmante, um asilo foi interditado em novembro do ano passado após a constatação de que 100% dos seus residentes sofriam de escabiose, popularmente conhecida como sarna. A doença de pele, altamente contagiosa, demonstrava a falta de higiene e de acompanhamento médico adequado no estabelecimento.
Ministério Público Atua e Cobra Responsabilização
O Promotor de Justiça da Pessoa Idosa, Carlos Cezar Barbosa, classificou os locais como inadequados para serem chamados de casas de repouso. Segundo o promotor, o Ministério Público tem intensificado suas ações, com processos civis públicos, liminares e inquéritos criminais em andamento para coibir essas práticas.
Barbosa destacou a necessidade de um trabalho conjunto entre o Ministério Público, a Secretaria de Assistência Social e a Secretaria de Saúde. “Se tiver idoso doente, tem que ser levado para o hospital, idoso que tem família, a Assistência Social tem que ir atrás da família. Idoso que não tem ninguém, tem que encontrar um lugar para essa pessoa ficar. Então, tem que ser um trabalho conjunto”, ressaltou o promotor.
Prefeitura Afirma Ações e Busca Ampliar Vagas
A Prefeitura de Ribeirão Preto informou que as interdições foram resultado de ações fiscais e que os casos foram encaminhados ao Ministério Público, negando omissão. A administração municipal também declarou estar trabalhando para aumentar o número de vagas em casas de apoio e expandir o atendimento institucional.
Atualmente, 45 Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) estão licenciadas pela Vigilância Sanitária e autorizadas a funcionar em Ribeirão Preto. Uma lista completa dessas instituições está disponível no site oficial da Prefeitura, para consulta pública.
Proprietários Podem Responder Criminal e Civilmente
No caso específico de uma casa de repouso no Jardim Paulista, que foi interditada pela segunda vez após desobedecer uma ordem anterior, a proprietária do estabelecimento pode enfrentar processos civis e criminais. O promotor Carlos Cezar Barbosa mencionou a possibilidade de ações de indenização por danos morais à coletividade e responsabilização criminal por maus-tratos.
“Aquilo lá é uma situação de maus-tratos, é bandidagem”, afirmou o promotor, demonstrando a gravidade das irregularidades encontradas e a necessidade de punição exemplar para os responsáveis por negligenciar o bem-estar dos idosos em suas instituições.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/04/04/em-cinco-meses-cinco-casas-de-repouso-sao-interditadas-em-ribeirao-preto-sp.ghtml.