Camila Loures se submete a procedimento estético para retirar veia da testa, mas especialistas alertam para riscos e ausência de comprovação científica.
A influenciadora Camila Loures compartilhou com seus seguidores nas redes sociais que realizou um procedimento para remover uma veia que se tornava visível em sua testa, principalmente em momentos de emoção ou ansiedade. A motivação, segundo ela, foi puramente estética, buscando um resultado mais harmonioso para sua face.
A técnica utilizada envolveu a cauterização da veia com laser, um método que, apesar de ter ganhado popularidade e ter sido adotado por outras celebridades como a cantora Anitta, ainda carece de um consenso científico robusto. Especialistas expressam preocupação com a falta de estudos que comprovem a segurança e eficácia a longo prazo deste tipo de intervenção.
Conforme informação divulgada pelo g1, médicos alertam que a ausência de evidências científicas sólidas levanta questões sobre os potenciais riscos associados ao procedimento. Entre as preocupações, destacam-se complicações sérias que podem afetar a saúde e a aparência da pele, como necrose e queimaduras, além de possíveis impactos na visão.
O que é a veia supratroclear e por que ela se torna aparente,
A veia que geralmente causa incômodo nesses casos é a supratroclear, localizada na parte central da testa, entre as sobrancelhas. Ela faz parte do sistema de drenagem venosa da face, auxiliando no retorno do sangue ao coração. Na maioria das vezes, sua visibilidade não representa um problema de saúde, sendo o desconforto de cunho estético.
O surgimento de uma linha ou saliência nessa região pode ocorrer devido a fatores como o aumento do fluxo sanguíneo ao sorrir, fazer esforço físico ou em situações de tensão. Com o envelhecimento, o afinamento da pele e a diminuição de colágeno e gordura podem acentuar ainda mais a aparência dessas veias. A anatomia individual, como uma pele mais fina, também pode contribuir para que a veia seja mais evidente desde cedo.
Laser como alternativa estética e os receios dos especialistas,
Para atenuar esse aspecto, abordagens com laser têm sido empregadas, atuando diretamente sobre o vaso sanguíneo. Existem o laser transdérmico, aplicado externamente na pele, e o endovenoso, realizado dentro da veia, técnica já utilizada em outros tratamentos vasculares. No entanto, a cirurgiã vascular Aline Lamaita ressalta que este procedimento ainda não possui um respaldo científico consolidado.
A cirurgiã plástica Gabriela Schwartzmann, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, destaca que a anatomia da região exige cautela. A proximidade dos vasos com áreas ligadas à visão, especialmente com a região da glabela, entre as sobrancelhas, pode representar riscos. Essa comunicação com estruturas importantes pode, em casos raros, afetar a visão.
Riscos e complicações potenciais do procedimento,
Além do risco à visão, outras complicações podem surgir com a cauterização da veia supratroclear. Entre elas estão a necrose da pele, caso haja lesão acidental de artérias próximas, a congestão sanguínea decorrente da alteração na drenagem facial, a fibrose como resposta à cauterização e lesões térmicas que podem resultar em queimaduras ou manchas. O risco de impacto na oxigenação cerebral, embora considerado baixo, não pode ser totalmente descartado em situações específicas.
Fatores como infecções locais na área a ser tratada, como acne ativa, ou o uso de pele bronzeada podem contraindicar ou dificultar o procedimento, aumentando o risco de pigmentação indesejada após o uso do laser. Diante da incerteza sobre a segurança e dos dados ainda limitados, os especialistas recomendam extrema cautela e uma avaliação individualizada, ponderando riscos, benefícios e a falta de dados consolidados sobre a técnica de retirada da veia saltada na testa.
Fonte consultada: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/04/08/influenciadora-camila-loures-retira-veia-saltada-na-testa-procedimento-carece-de-respaldo-cientifico.ghtml.