Três homens acusados de assassinar o contraventor Fernando de Miranda Iggnacio serão levados a júri popular nesta quinta-feira (9). O crime, ocorrido em novembro de 2020 no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, é um dos casos mais emblemáticos da violenta disputa pelo controle do jogo do bicho no estado.
Rodrigo Silva das Neves, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro são apontados como os executores do homicídio, agindo a mando de Rogério de Andrade. A sessão está marcada para começar às 11h no auditório do 1º Tribunal do Júri e a expectativa é que o julgamento se estenda por mais de um dia.
Este julgamento foca nos supostos executores, mas o contexto do crime envolve uma complexa teia de poder e rivalidade no universo da contravenção carioca. A vítima, Fernando Iggnácio, era genro do lendário contraventor Castor de Andrade, enquanto Rogério de Andrade é sobrinho de Castor, evidenciando a disputa familiar e de poder.
Disputa familiar e o controle do jogo do bicho
A morte de Fernando Iggnácio insere-se em uma prolongada e sangrenta disputa pelo domínio do jogo do bicho e outras atividades ilícitas no Rio de Janeiro. As investigações do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) apontam que o crime foi motivado por essa guerra territorial e de influência entre grupos rivais.
A vítima e o suposto mandante, Rogério de Andrade, representam diferentes vertentes de uma mesma família que construiu um império na contravenção. A rivalidade, muitas vezes, se manifesta de forma brutal, com execuções e confrontos que marcam a história do crime organizado no estado.
O jogo do bicho, embora ilegal, movimenta altas cifras e é um negócio de família para muitos, gerando disputas acirradas que frequentemente escalam para a violência extrema. A execução de Iggnácio é um reflexo direto dessa realidade.
O papel de Gilmar Eneas Lisboa na execução
No processo que apura a conduta de Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa, denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), a participação de Gilmar Eneas Lisboa foi considerada fundamental. Ele teria sido o responsável por monitorar a rotina de Fernando Iggnácio em Angra dos Reis.
Segundo as investigações, Lisboa mantinha contato direto com Marcio Araujo de Souza, identificado como o comandante-geral da segurança de Rogério de Andrade. Essa interlocução teria sido crucial para planejar e executar o assassinato, fornecendo informações detalhadas sobre os movimentos da vítima.
As testemunhas arroladas pelas partes já foram ouvidas no processo contra Rogério de Andrade e Gilmar Eneas Lisboa, que agora se encontra em fase de diligências. A atuação de Lisboa demonstra a complexidade da organização criminosa e a divisão de tarefas para concretizar os atos ilícitos.
Reviravoltas na investigação e o caso Rogério de Andrade
O caso já passou por reviravoltas significativas. Em março de 2021, Rogério de Andrade chegou a ser denunciado pelo mesmo homicídio. No entanto, em fevereiro de 2022, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o trancamento da ação penal contra ele.
A decisão do STF se deu por insuficiência de provas quanto à sua participação direta como mandante na ocasião. Essa decisão inicial não impediu que as investigações prosseguissem em outras frentes, buscando consolidar elementos probatórios.
Posteriormente, um novo Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo GAECO/MPRJ reuniu novos elementos. Estes novos dados não apenas detalharam a dinâmica da execução, mas também evidenciaram a escalada de violência decorrente da disputa entre os grupos criminosos. Isso resultou em uma nova denúncia contra Rogério de Andrade e Gilmar Eneas.
O que esperar do julgamento popular
O julgamento dos supostos executores, que ocorre nesta quinta-feira, promete ser um marco importante na apuração deste crime de grande repercussão. A presença de Rogério de Andrade como apontado mandante, mesmo com o trancamento anterior de uma ação, mantém o foco na liderança por trás da violência.
A expectativa é que o júri popular analise as provas apresentadas pela acusação e pela defesa para determinar a responsabilidade dos réus no assassinato de Fernando Iggnácio. O caso se arrasta há anos, refletindo a dificuldade em desmantelar redes criminosas estabelecidas.
A decisão do júri poderá ter implicações significativas para o futuro das investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro, especialmente no que tange à liderança e à punição dos envolvidos em crimes violentos relacionados à contravenção.
Fonte consultada: https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2026/04/7233584-acusados-pela-morte-do-contraventor-fernando-iggnacio-vao-a-juri-popular-nesta-quinta.html.