Maioria dos brasileiros endividada e em busca de alívio financeiro
Uma pesquisa recente da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, aponta que uma expressiva maioria dos brasileiros, 72%, declara ter poucas ou muitas dívidas para pagar. O levantamento, realizado entre os dias 9 e 13 de abril com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, também revela um forte consenso em relação a intervenções governamentais: 70% dos entrevistados são a favor de que o governo federal invista mais em programas de auxílio a famílias endividadas, como a renegociação de débitos.
Os dados indicam um cenário financeiro desafiador para a população, com 29% afirmando ter muitas dívidas e 43% relatando possuir poucas. Apenas 28% dos entrevistados afirmaram não ter nenhum tipo de endividamento. Comparado a pesquisas anteriores, o percentual de endividados apresentou um leve aumento, refletindo possivelmente as dificuldades econômicas atuais.
A pesquisa Quaest, com registro no TSE sob o número BR-09285/2026, ouviu 2.004 brasileiros e possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os resultados trazem um panorama preocupante sobre a saúde financeira do país e a expectativa da população por soluções.
Apoio a programas de renegociação de dívidas é amplo
Diante do cenário de endividamento, a opinião sobre a atuação do governo se mostra favorável a medidas de apoio. 70% dos entrevistados concordam que o governo federal deve destinar mais recursos para programas voltados à renegociação de dívidas. Em contrapartida, apenas 24% se posicionaram contra essa iniciativa, enquanto 6% não souberam ou não responderam.
Um exemplo de programa governamental que visa auxiliar os endividados é o Desenrola Brasil. Sobre a avaliação deste programa específico, a pesquisa mostra que 46% dos brasileiros aprovam a medida, um índice que subiu em relação a dezembro, quando era de 42%. No entanto, uma parcela significativa de 45% ainda desconhece o programa, indicando a necessidade de maior divulgação e alcance.
A aprovação do Desenrola Brasil, mesmo com o desconhecimento de quase metade dos entrevistados, sugere que a população percebe a necessidade de ferramentas que facilitem a saída do vermelho. O aumento na aprovação, de 42% para 46%, pode ser interpretado como um sinal de que as iniciativas, quando conhecidas, tendem a ser bem recebidas.
Percepção negativa sobre a economia persiste
Além da questão do endividamento, a pesquisa Quaest também abordou a percepção dos brasileiros sobre o desempenho da economia. Os resultados indicam um sentimento predominante de piora: 50% dos entrevistados consideram que a economia piorou nos últimos 12 meses. Este índice vem crescendo desde o início do ano, refletindo um pessimismo crescente.
Em março, 48% já apontavam para uma piora, e agora este número subiu para 50%. Apenas 21% acreditam que a economia melhorou, enquanto 27% acham que permaneceu do mesmo jeito. Essa percepção negativa pode estar ligada diretamente à dificuldade em honrar compromissos financeiros e à sensação de perda do poder de compra.
A expectativa para os próximos 12 meses também não é otimista. O índice dos que acreditam em melhora econômica caiu para 40% em abril, sendo que em janeiro era de 48%. Por outro lado, o grupo que antecipa uma piora aumentou, chegando a 32% em abril, contra 28% em janeiro.
Preços de alimentos e poder de compra em foco
A percepção sobre o aumento dos preços, especialmente de alimentos, é um dos fatores que mais contribuem para a visão negativa da economia. 72% dos brasileiros afirmam que o preço dos alimentos nos mercados subiu no último mês. Este percentual representa um aumento significativo em relação a março, quando era de 58%.
Essa elevação nos custos básicos impacta diretamente o poder de compra. 71% dos entrevistados declaram conseguir comprar menos do que conseguiam há um ano. Apenas 11% afirmam ter conseguido comprar mais, e 17% sentem que o poder de compra se manteve o mesmo. Essa discrepância entre o que se ganha e o custo de vida é um dos principais motores do endividamento.
A pesquisa também investigou o impacto da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, mas não apresentou mudanças significativas em relação à pesquisa anterior de março. No entanto, a sensação geral de aperto financeiro, evidenciada pelo aumento das dívidas e pela percepção de piora econômica e de perda de poder de compra, reforça a demanda por políticas públicas que ofereçam alívio e estabilidade.
O caminho para a recuperação financeira
Os dados da pesquisa Quaest pintam um quadro desafiador para as finanças dos brasileiros. Com a maioria da população endividada e preocupada com o futuro econômico, o apoio a programas governamentais de auxílio se mostra como uma via esperada de solução. A aprovação de iniciativas como o Desenrola Brasil, mesmo com a necessidade de maior divulgação, sugere que a população está aberta a caminhos que facilitem a renegociação e o pagamento de dívidas.
A persistente percepção de piora econômica, aliada ao aumento dos preços de alimentos e à consequente redução do poder de compra, cria um ciclo vicioso que dificulta a melhoria da situação financeira individual e familiar. O desafio para o governo e para a economia em geral é reverter essa tendência, promovendo um ambiente onde os brasileiros possam ter mais segurança e capacidade de gerir suas finanças, saindo do ciclo de endividamento e recuperando a confiança no futuro.