Do auge ao esquecimento: as séries de jogos que sumiram do mercado
O universo dos videogames é um palco de constantes transformações. Franquias que um dia dominaram paradas de vendas e corações de jogadores podem, com o tempo, perder o fôlego e serem relegadas ao passado. Esse fenômeno, impulsionado por mudanças tecnológicas, estratégicas de mercado e a evolução do gosto do público, faz com que até mesmo grandes sucessos corram o risco de desaparecer.
A necessidade de reinvenção é constante na indústria, e séries que não acompanham as tendências ou sofrem com lançamentos mal recebidos acabam ficando para trás. Conforme informação divulgada pelo Voxel, compilamos uma lista de 12 franquias que já foram pilares do mercado, mas que hoje vivem apenas na memória dos fãs.
Survival horror e dinossauros: o fim de Dino Crisis
Lançado originalmente para o PlayStation, Dino Crisis se destacou ao mesclar a tensão do survival horror com a premissa inédita de enfrentar dinossauros. Sob a direção de Shinji Mikami, o mesmo criador de Resident Evil, o jogo conquistou o público com sua atmosfera e desafios.
Apesar do impacto do primeiro título, as sequências não alcançaram o mesmo patamar de sucesso, o que gradualmente levou ao abandono da franquia pela Capcom. Ainda assim, uma comunidade dedicada nutre a esperança por um remake do game original, especialmente com a recente revitalização de outros clássicos de Mikami.
O legado furtivo de Splinter Cell
Estreando no Xbox e rapidamente expandindo para PC e PS2, Splinter Cell estabeleceu-se como um marco nos jogos de furtividade. O foco na infiltração, estratégia e as missões de Sam Fisher cativaram uma legião de fãs.
A série recebeu diversos títulos, sendo Splinter Cell: Blacklist o último lançamento em 2013. Embora novos jogos não tenham chegado ao mercado, Sam Fisher mantém sua relevância através de participações especiais, como sua inclusão em Rainbow Six Siege como o agente Zero.
Velocidade e destruição: o adeus de Burnout
Nascido no PlayStation 2, Burnout se tornou sinônimo de corridas arcade viscerais, com jogabilidade focada em velocidade extrema, colisões espetaculares e modos de destruição icônicos. A série oferecia pura adrenalina nas pistas virtuais.
Com o tempo, mudanças no mercado de jogos de corrida e a ausência de novos títulos expressivos levaram ao declínio da franquia. O último lançamento foi Burnout Crash! em 2011, deixando um vácuo para os amantes de velocidade arcade.
Driver: o pioneiro do mundo aberto em alta velocidade
Driver iniciou sua jornada no PlayStation como um dos mais impressionantes jogos de mundo aberto da sua época. O game original apresentava gráficos 3D detalhados e a inovadora possibilidade de sair e entrar de veículos, algo que Grand Theft Auto só incorporaria posteriormente no PS2.
Apesar de sua grande influência no gênero, a franquia perdeu espaço com a ascensão de outros títulos de mundo aberto e algumas decisões de desenvolvimento questionáveis. Curiosamente, um dos títulos mais aclamados, Driver: San Francisco, foi removido das lojas digitais, tornando-se um item raro para colecionadores.
Ação e espionagem: o silêncio de Syphon Filter
Outro sucesso do primeiro PlayStation, Syphon Filter conquistou seu espaço ao combinar ação intensa com elementos de espionagem em missões variadas em terceira pessoa. A série oferecia uma experiência envolvente e desafiadora.
Mesmo com uma recepção inicial positiva, a franquia deixou de receber novos jogos, refletindo as mudanças nas prioridades da indústria. Atualmente, os títulos da série estão disponíveis para os jogadores através da retrocompatibilidade no PlayStation 5.
Caos veicular: a ausência de Twisted Metal
Twisted Metal lançou os jogadores do PlayStation 1 em um torneio caótico de combate veicular, onde o objetivo era aniquilar os oponentes. A premissa simples era elevada pela carisma dos personagens e um sistema de combate que garantia horas de diversão explosiva.
Apesar de algumas tentativas de retorno, a franquia não conseguiu se firmar novamente no mercado moderno. Recentemente, o universo do jogo ganhou uma adaptação para série de TV, mas a continuidade dos games permanece incerta.
O fenômeno musical que saturou: Guitar Hero
Guitar Hero, que começou no PlayStation 2, tornou-se um fenômeno global ao popularizar os jogos musicais com seus icônicos controles em formato de guitarra. A série gerou inúmeros lançamentos, o que acabou por saturar o gênero.
O custo elevado e a dificuldade de encontrar os periféricos dedicados também contribuíram para o declínio. Uma tentativa de ressurgimento com Guitar Hero Live em 2015 não obteve o sucesso esperado, e a franquia voltou a cair no esquecimento.
Luta, hip-hop e o fim de Def Jam
Def Jam surgiu no PlayStation 2 e ganhou destaque ao misturar jogos de luta com a participação de artistas de hip-hop, capturando a essência da indústria musical dos anos 2000. O título de estreia, Def Jam: Fight for NY, foi um grande sucesso.
No entanto, as sequências, Def Jam Vendetta e Def Jam: Icon, não replicaram o mesmo êxito comercial. Atualmente, a franquia não apresenta sinais de retorno, possivelmente devido aos altos custos de licenciamento de tantos ícones do hip-hop.
Corridas de rua lendárias: o sumiço de Midnight Club
Na época em que a Rockstar Games produzia mais de um título por década, Midnight Club era um dos seus grandes trunfos. A franquia de corridas de rua, que estreou no PS2, competia diretamente com Need for Speed, oferecendo um mundo rico em detalhes e adrenalina.
Com a mudança de foco da desenvolvedora, que passou a priorizar Grand Theft Auto, a série deixou de receber novos jogos e perdeu relevância no mercado. Atualmente, as atenções da Rockstar estão voltadas para o aguardado GTA 6.
A aventura de plataforma: o hiato de Jak and Daxter
Jak and Daxter, iniciado no PlayStation 2, foi um dos grandes nomes dos jogos de plataforma, notável por seus mundos expansivos e personagens carismáticos. A série conquistou uma base fiel de fãs.
Apesar de ser muito querida, a franquia não avançou para as gerações mais recentes com títulos inéditos, deixando os jogadores com saudades de novas aventuras neste universo.
Liberdade e mutação: o fim de Prototype
Lançado para PlayStation 3 e Xbox 360, Prototype oferecia ação em mundo aberto com habilidades especiais e uma liberdade sem precedentes. O jogo permitia ao jogador encarnar um protagonista com poderes mutantes e causar o caos.
Dois jogos foram lançados, com o segundo sendo considerado um aprimoramento direto do título original, proporcionando uma verdadeira “power trip”. Contudo, com a diminuição da popularidade do gênero de ação em mundo aberto, a franquia acabou por seguir o mesmo caminho.
Cooperação em foco: o adeus de Army of Two
Army of Two estreou no PlayStation 3 e Xbox 360 com um forte foco na jogabilidade cooperativa entre dois personagens. Foi um dos principais lançamentos em uma época onde os “cover shooters” dominavam o gênero.
O jogo, que também podia ser jogado em modo solo, destacava-se pelas dinâmicas de cooperação, sistemas de notoriedade e gameplay em tela dividida. O último título da franquia, Army of Two: The Devil’s Cartel, lançado em 2013, fracassou tanto com a crítica quanto com o público, levando a EA a arquivar a série.
Essas 12 franquias representam apenas uma fração das muitas séries que, apesar de seu sucesso passado, acabaram desaparecendo. O mercado de games é implacável, e apenas as mais resilientes e inovadoras conseguem manter seu lugar ao longo do tempo.